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Cemitério dos Prazeres: Arquitetura
Cemitério dos Prazeres: Mausoléus, Arquitetura e um dos melhores miradouros para o Rio Tejo

Cemitério dos Prazeres: Mausoléus, Arquitetura e um dos melhores miradouros para o Rio Tejo

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Praça São João Bosco 568, 1350-297 Lisboa, Portugal
💶 Preço: gratuito
⏰ Horário:

Segunda-feira a Domingo: 09:00 – 18:00

Como Chegar (Google Maps)

Entre mausoléus e uma vista larga sobre o Tejo

Subimos a Rua Coelho da Rocha num fim de manhã e o portão do Cemitério dos Prazeres apareceu de repente, maior do que esperávamos. Mal entrámos, reparámos numa ampulheta esculpida no muro, com um par de asas — de morcego, achamos — dobradas sobre ela. Só mais tarde soubemos que é um símbolo funerário clássico, ligado à passagem do tempo e à ideia de que a morte chega sem avisar.

Achámo-lo um pouco sinistro — ou talvez fosse só o calor do meio-dia a exagerar-nos a imaginação, não tenho bem a certeza.

Cemitério dos Prazeres: Arquitetura e Finitude
Cemitério dos Prazeres: Arquitetura e Finitude

O cemitério ocupa uma colina inteira em Campo de Ourique, com ruas próprias, nomes de família gravados em pedra e uma vista que se abre, lá ao fundo, sobre o rio Tejo e a Ponte 25 de Abril. Não é um jardim com bancos e sombra — é uma cidade em miniatura, feita de avenidas de mausoléus.

Depois da epidemia, uma colina fora da cidade

O Cemitério dos Prazeres abriu no início da década de 1830, pouco depois de uma epidemia de cólera ter obrigado Lisboa a repensar onde enterrava os seus mortos. Até então, os enterramentos faziam-se sobretudo dentro das igrejas.

O nome não tem nada de poético por trás. Vem da Quinta dos Prazeres, a propriedade rural que ocupava o terreno antes de ali se construir o cemitério — o que faz deste o único sítio em Lisboa onde “ir aos Prazeres” significa visitar campas, não outra coisa qualquer.

Cemitério dos Prazeres: Pórtico
Cemitério dos Prazeres: Pórtico

A localização, fora do centro na altura, fazia todo o sentido sanitário. Hoje Campo de Ourique é um dos bairros mais centrais de Lisboa, e o cemitério ficou rodeado de prédios, mercado, escolas — uma vizinhança normal, com um portão enorme no meio dela.

O que a pedra tenta dizer

Ampulhetas aladas, tochas viradas ao contrário, colunas partidas a meio: quem passeia pelas avenidas principais vai encontrando os mesmos símbolos a repetir-se de jazigo em jazigo. Diz-se, entre quem estuda estas coisas, que muita desta simbologia chegou a Portugal através das lojas maçónicas do século XIX, que tinham entre os seus membros boa parte da burguesia lisboeta ali enterrada.

Cemitério dos Prazeres: Capela
Cemitério dos Prazeres: Capela

A tocha invertida representa a vida que se apaga. A coluna partida, uma vida interrompida antes do tempo.

Reparámos também em várias esfinges e obeliscos, um pouco por todo o lado — um eco do gosto oitocentista pelo Egipto antigo, mais decorativo do que religioso. Não tentámos identificar todos os símbolos; ficámos só a admirar a quantidade de detalhe que cabe num único muro de jazigo.

O jazigo dos Duques de Palmela e a diferença para o Alto de São João

Já tínhamos visitado o Cemitério do Alto de São João antes desta visita, e a diferença salta à vista assim que se entra. Lá há muito mais campas rasas, terra e relva entre os jazigos. Aqui, os mausoléus dominam quase por completo, enfileirados uns a seguir aos outros como se fossem casas de uma rua. Perdemos a conta a meio do passeio.

Cemitério dos Prazeres: Jazigo dos Duques de Palmela
Cemitério dos Prazeres: Jazigo dos Duques de Palmela

O ponto alto, sem qualquer dúvida, é o jazigo dos Duques de Palmela, considerado o maior mausoléu de Portugal. É uma construção neogótica imponente, com torreões e vitrais, que mais parece uma pequena capela do que um túmulo de família.

Preferimos claramente este jazigo a qualquer outro do cemitério — a escala e o detalhe arquitetónico não têm comparação, mesmo entre os mausoléus maiores das avenidas vizinhas.

Nomes que reconhecemos entre os jazigos

Soubemos, já depois da visita, que o jazigo da família Soares fica algures neste cemitério e que é ali que está sepultado Mário Soares, uma das figuras mais importantes da política portuguesa do século XX. Não o encontrámos — não sabíamos exatamente onde procurar, e o cemitério é grande demais para se percorrer avenida a avenida sem um mapa. Fica para a próxima.

Cemitério dos Prazeres: Jazigo da Família Pinto Leite
Cemitério dos Prazeres: Jazigo da Família Pinto Leite

Outras figuras célebres passaram por aqui antes de serem transladadas para o Panteão Nacional, na Igreja de Santa Engrácia. Amália Rodrigues é o exemplo mais conhecido: esteve sepultada no Cemitério dos Prazeres durante décadas, entre familiares, antes de os seus restos mortais serem transferidos para o Panteão. O mesmo aconteceu a outras figuras da cultura portuguesa sepultadas inicialmente em Lisboa.

A vista sobre o Tejo, vista de dentro de um cemitério

O melhor ponto para a vista, na nossa opinião, fica junto ao muro poente, a meio do cemitério. O muro ali é baixo. Dali avista-se o Tejo e a Ponte 25 de Abril quase sem obstáculos, com os telhados de Campo de Ourique e Alcântara a descer até à água.

Cemitério dos Prazeres: Vista da Ponte 25 de Abril
Cemitério dos Prazeres: Vista da Ponte 25 de Abril

Preferimos claramente este canto a qualquer outro miradouro dentro do recinto. Há outros pontos altos, mas alguns têm ciprestes a tapar parte da vista; outros ficam demasiado perto de sepulturas recentes para nos sentirmos à vontade a fotografar ali.

Ao final da tarde, com o sol baixo, a luz bate direita na fachada dos mausoléus mais próximos do muro e a pedra fica quase dourada. Não sabemos se é sempre assim — fomos lá num fim de tarde de verão, e pode ser só um efeito daquela altura do ano.

Cemitério dos Prazeres: Ciprestes
Cemitério dos Prazeres: Ciprestes

Os ciprestes lançam sombras compridas sobre as campas mais próximas do muro.

Campo de Ourique para lá do portão do cemitério

Saindo do cemitério, Campo de Ourique estende-se em quarteirões tranquilos, com uma vida de bairro que contrasta com o silêncio lá dentro. A cerca de dez minutos a pé fica o Jardim da Estrela, com a sua Basílica de cúpula branca bem visível de longe.

Cemitério dos Prazeres: Miradouro
Cemitério dos Prazeres: Miradouro

Mais perto ainda está o Museu Bordalo Pinheiro, dedicado ao ceramista que deu nome à figura do Zé Povinho, e que atrai sobretudo quem gosta de cerâmica e caricatura portuguesa do século XIX.

Do lado da Basílica, o Palácio de São Bento — sede da Assembleia da República — fica a uma curta distância, e as torres das Amoreiras, com a sua arquitetura pós-moderna tão diferente do resto do bairro, marcam o horizonte a norte. Reparámos nisso mais do que esperávamos, a subir uma rua qualquer sem grande destino.

Um dia inteiro entre Campo de Ourique e o cemitério

Comece a manhã no Mercado de Campo de Ourique, com um café e algo doce, e desça depois até ao Jardim da Estrela. Suba de volta devagar, passando pelo Museu Bordalo Pinheiro, e deixe o Cemitério dos Prazeres para o fim da tarde — é quando a luz fica melhor junto ao muro poente.

Reserve pelo menos uma hora e meia lá dentro; é fácil perder a noção do tempo entre as avenidas de mausoléus. Se preferir não caminhar tudo, apanhe o elétrico 28 a meio do percurso — tem ali mesmo, em Campo de Ourique, a sua última paragem.

Onde comer e quanto custa visitar

A entrada no Cemitério dos Prazeres é gratuita — não há bilhete nem torniquete, entra-se como quem entra num jardim público. Para quem só tem uma hora livre em Campo de Ourique, isto facilita bastante a decisão de parar ali.

Para comer, a nossa escolha vai sempre para o Mercado de Campo de Ourique, na Rua Coelho da Rocha, a poucos minutos a pé do cemitério. Tem bancas de petiscos, peixe grelhado e uma zona de pastelaria que costuma encher ao fim de semana.

Preferimos claramente o mercado a qualquer restaurante fechado da zona: a variedade permite que cada pessoa do grupo escolha algo diferente, sem pôr todos de acordo à mesa. Nos dias mais cheios não é fácil arranjar lugar — já ficámos à espera minutos a fio, copo na mão, à porta de uma das bancas mais concorridas, sem nunca perguntar o nome.

Perguntas Frequentes

É preciso marcar a visita com antecedência?
Não. Entra-se livremente, dentro do horário de funcionamento, sem qualquer reserva.

Vale a pena ir num dia de chuva?
Vai depender do que procura — a atmosfera fica diferente, mais fechada, mas a pedra molhada realça os detalhes esculpidos dos jazigos. Se o objetivo for a vista sobre o Tejo, um dia limpo compensa mais.

O cemitério é acessível a pessoas com mobilidade reduzida?
As avenidas principais são largas e relativamente planas, mas há troços de calçada irregular e algumas zonas em pedra solta que dificultam a circulação de cadeiras de rodas.

Há loja ou quiosque dentro do recinto?
Não que tenhamos encontrado. Quem precisar de água ou de comer algo tem de sair e ir até ao Mercado de Campo de Ourique, ali perto.

Informações Práticas

Onde Estacionar

O estacionamento é na rua, em zona tarifada da EMEL nos dias úteis, com maior aperto a meio da manhã e ao final da tarde, quando o mercado e as escolas da zona enchem as ruas próximas. Aos fins de semana costuma ser mais fácil encontrar lugar junto ao próprio portão do cemitério.

Transportes

O elétrico 28 tem a paragem “Prazeres” mesmo à entrada, sendo essa a sua última paragem do lado de Campo de Ourique. A pé, desde a estação de metro do Rato, na linha azul, contam-se cerca de quinze a vinte minutos, a subir. Vários autocarros da Carris servem também o bairro de Campo de Ourique.

Dicas Práticas

O piso é sobretudo calçada portuguesa, irregular em vários troços e escorregadia depois de chuva — leve calçado com boa aderência. A sombra é escassa fora das avenidas com ciprestes, por isso leve chapéu se for visitar a meio do dia. Para evitar grupos, prefira uma manhã de semana; ao fim de semana enche mais junto ao portão principal.

💡 Dica de Ouro

Explora a grande "avenida principal" para admirar o Jazigo dos Duques de Palmela (o maior mausoléu privado da Europa) e vai até ao fundo do cemitério para desfrutar de uma vista panorâmica incrível sobre a Ponte 25 de Abril, o Rio Tejo e o Vale de Alcântara.
🏛️ Ano de Construção: 1833
👤 Arquiteto: Domingos Parente da Silva
🎨 Estilo: Arquitetura Funerária Neoclássica, Romântica, Arte Nova e Ecletismo
📜 Património: Sem classificação

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