
Rua da Bica de Duarte Belo: A rua mais fotografada de Lisboa, pelo elétrico, santos populares e muito mais
📌 Informações Práticas
Aberto 24 horas (espaço público)
O Ascensor da Bica funciona habitualmente entre as 07:00 e as 21:00)
Uma rampa de calçada com o Tejo ao fundo
Quem chega ao topo da Rua da Bica de Duarte Belo percebe logo porque é que a fotografia anda por todo o lado. A calçada desce a direito, sem uma única curva que a amacie, e lá ao fundo, apertado entre os prédios dos dois lados, aparece um bocado do rio Tejo.

Os prédios são estreitos, com roupa estendida nas janelas e varandas de ferro quase à altura da mão de quem passa. Várias travessas e escadinhas cruzam a rua em ângulo reto (basta meter por uma delas para o bairro mudar de escala e de silêncio), por isso desça uma ou duas, nem que seja para ver onde vão dar.
São cerca de 245 metros entre o Largo do Calhariz, em cima, e a Rua de São Paulo, em baixo. A descida custa mais do que a subida. Quem leva sandálias de sola lisa descobre-o logo ao terceiro passo, com a calçada polida pelo uso a escorregar debaixo dos pés.
O Ascensor da Bica, de 1892 ao silêncio de agora
O Ascensor da Bica foi inaugurado em 1892, com projeto do engenheiro Raoul Mesnier de Ponsard, o mesmo que desenhou o Elevador de Santa Justa. Foi eletrificado já no século XX e acabou classificado como monumento nacional. Liga a Rua de São Paulo ao Largo do Calhariz e, antes de parar, o bilhete a bordo custava cerca de 4,20 € ida e volta, sem opção de só ida.

Quando lá fomos, nada disto andava. O ascensor estava parado por causa do acidente no Elevador da Glória, a 3 de setembro de 2025 (os três ascensores históricos e o Elevador de Santa Justa pararam na mesma altura), e a Carris continua sem data para o devolver à rua. Só se via um carro amarelo, encostado aos carris, a servir de cenário às selfies de quem atravessou meio mundo atrás do postal.
Parado, o único que sobe é o ritmo cardíaco de quem faz a rua a pé.
O Funicular da Graça, esse, já reabriu.
Igreja de São Paulo, no arranque da rua
Na Rua de São Paulo, a poucos passos de onde a Bica desagua, fica a Igreja de São Paulo, reconstruída depois do terramoto de 1755, como boa parte das zonas junto ao rio. Passa-se por ela a caminho da Bica, vindo do Cais do Sodré, e a maioria das pessoas segue em frente sem olhar para o portal.
A entrada faz-se pela Rua de São Paulo.
Pare um minuto e entre, se estiver aberta. Preferimos esta igreja às mais fotografadas do Chiado precisamente por ninguém lhe fazer fila.
Calhariz, Santa Catarina e o miradouro do Adamastor
O Largo do Calhariz fecha a Bica pelo topo, já a caminho da Calçada do Combro, onde passa o elétrico 28. É um largo aberto, onde confluem várias ruas, e serve de ponto de encontro a quem desce a rua. Na Calçada do Combro fica a Igreja de Santa Catarina, do século XVII, com um interior de talha dourada que contrasta com a fachada discreta. Entre sem pressa.
A uns dez minutos a pé sobe-se ao Miradouro de Santa Catarina, mais conhecido pelo Adamastor, por causa da estátua do gigante dos Lusíadas. Entre este e o de São Pedro de Alcântara, o nosso favorito é este: dá vista para o rio e para a Ponte 25 de Abril, tem degraus e bancos para ficar sentado, e o outro olha sobretudo para o castelo. Leve uma bebida e fique até o sol baixar.
Um sábado com as lojas quase todas fechadas
Fomos num sábado e a Bica estava muito mais calada do que as fotografias deixam imaginar. As lojas tinham as portas corridas e só dois barbeiros estavam abertos. Ainda se vê na rua um sapateiro dos tempos idos, desses que quase ninguém encontra, ao lado de uma loja nova pensada para turistas. Não sabemos se é sempre assim ao sábado.

A meio da rua, uma moradora que subia com as compras viu o saco romper-se, e os produtos começaram a rolar calçada abaixo. Ela correu atrás deles, nós também, e ainda agarrei um refrigerante a tempo, porque doutra forma só o iríamos encontrar na Rua de São Paulo. Para quem ali vive, a rua não é cenário. É o caminho para casa, com sacos de compras numa mão e câmaras apontadas às costas de quem passa.

A inclinação torna a descida difícil junto aos carris. Os degraus ficam nas laterais, por isso use-os em vez de teimar com o ferro. Achámos a rua mais íngreme ao vivo do que nas fotografias, ou então era só o cansaço a falar.
(Um de nós parou duas vezes para atar o mesmo atacador, o que não interessa nada.)
Como fotografar a rua sem multidões
Da Rua de São Paulo, a olhar para cima, apanha-se a rua inteira com o carro amarelo ao centro e os prédios a fechar o quadro. Do topo, a olhar para baixo, ganha-se o Tejo ao fundo. Preferimos a de baixo para cima, porque o carro ganha escala e o céu fica recortado entre os telhados.

Ao meio-dia, a luz cai a pique entre os prédios e queima as paredes claras. De manhã cedo e ao fim da tarde pesa menos, e as sombras ajudam.
Com o ascensor parado, a fotografia fica mais fácil (sem desfoque de movimento, só de turistas). Uma lente grande angular ajuda.
Um dia à volta da Bica, com tudo a menos de 5 km
Comece o dia no Cais do Sodré, com café e uma volta pelo Time Out Market Lisboa, o antigo Mercado da Ribeira, na Avenida 24 de Julho. Siga pela Rua de São Paulo, passe pela igreja e suba a Bica a pé até ao Calhariz, onde pode virar para o Miradouro de Santa Catarina. Dê-se ao tempo, porque a subida pede paragens.
À tarde, o Chiado fica a poucos minutos. No Largo do Carmo estão as ruínas do Convento do Carmo, a igreja gótica sem teto desde o terramoto de 1755, hoje com o Museu Arqueológico do Carmo (a entrada é paga). Mais acima, a Igreja de São Roque guarda a Capela de São João Baptista, trabalhada em Itália e trazida para Lisboa no século XVIII. O Elevador de Santa Justa também está parado, por isso suba ao Carmo a pé.
A Praça Luís de Camões fica ali ao lado. Quem quiser esticar o dia chega à Praça do Comércio em pouco mais de um quilómetro. Alfama, a uns dois quilómetros e meio, escapou em grande parte ao terramoto de 1755 e continua a ser um novelo de becos, ao passo que a Bica se desenha em ruas direitas que se cruzam em ângulo reto.
Onde comer e custos médios
Com as portas fechadas nesse sábado, o almoço seguro faz-se no Time Out Market Lisboa, na Avenida 24 de Julho, no Cais do Sodré, a uns dez minutos a pé do arranque da Bica. Procure uma bifana, um peixe grelhado ou uns petiscos para partilhar, e reserve as tascas do bairro para um dia de semana ou para o fim da tarde.
Ver a rua não custa nada, nem subir ao miradouro. A despesa do dia fica pelo almoço e por um ou outro café. O único custo fixo, o do ascensor, está suspenso.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A Rua da Bica é boa para visitar com crianças?
Sim, desde que vão de mão dada e sem pressa. O chão é de calçada e a inclinação pede as mãos livres.
Qual é a diferença entre ascensor, elevador e funicular em Lisboa?
Na prática, são o mesmo tipo de transporte em rampa. Ascensor e elevador são os nomes tradicionais lisboetas para Bica, Glória e Lavra. O Funicular da Graça, mais recente, reabriu em abril de 2026.
Quanto tempo devo reservar só para a rua?
Quinze minutos chegam.
Posso fotografar os moradores?
Peça licença antes. Aquela rua é a casa deles, e nem toda a gente quer aparecer no feed de um desconhecido.
Informações Práticas
Onde Estacionar
Deixe o carro longe. As ruas da Bica são zona de estacionamento tarifado da EMEL, com pouquíssimos lugares livres. A alternativa mais prática é um parque subterrâneo na zona do Chiado, como o da Praça Luís de Camões, e fazer o resto a pé. Ao fim de semana e ao fim da tarde há mais procura, por isso chegue cedo.
Transportes
O metro de Lisboa (Linha Verde) para no Cais do Sodré, e a estação serve também os comboios da Linha de Cascais. O elétrico 15 passa no Cais do Sodré. No topo da rua, na Calçada do Combro, passa o elétrico 28. Não conte com o ascensor para subir.
Dicas Práticas
O piso é calçada polida pelo uso, escorregadia com chuva ou depois de lavagem. Junto aos carris, desça pelos degraus das laterais. Ao sábado, quase tudo está fechado. Sombra há pouca a meio do dia. Para quem tem mobilidade reduzida, a rua é difícil, por causa da inclinação e do piso.









