Abre num novo separador
Calçada da Glória: Subida
Calçada da Glória: A saudade do Elevador, a subida, o turismo e a arte

Calçada da Glória: A saudade do Elevador, a subida, o turismo e a arte

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Calçada da Glória, 1250-001 Lisboa
💶 Preço: gratuito
⏰ Horário:

Aberto 24 horas (espaço público de livre circulação)

Como Chegar (Google Maps)

A subida a pé, com o sol a bater

Fomos com o sol a bater em cheio e não fugimos à subida. Para subir a Calçada da Glória a pé a partir dos Restauradores, comece junto ao Palácio Foz: a rua nasce ali ao lado e não há desvio possível. A calçada portuguesa devolve o calor que apanhou durante o dia, e sombra, a meio da rampa, quase não se encontra.

Calçada da Glória: Subida
Calçada da Glória: Subida

Os ascensores tradicionais foram retirados depois do acidente fatal e, ainda assim, a calçada continua com bastante movimento. Agora só se sobe a pé. Passam turistas de mapa na mão, gente do bairro com sacos de compras, casais que param de lanço em lanço para uma fotografia e fingem que é por causa da vista (nós também fizemos isso, duas vezes).

Não é uma subida de montanha, mas também não é passeio de domingo: a rampa é a sério, só que curta.

Demorámos mais do que o previsto, e sem culpa do fôlego. A meio da subida demos por nós a contar candeeiros sem razão nenhuma, e perdemos a conta à altura do memorial.

Restauradores: obelisco, Palácio Foz e Eden Teatro

Antes do primeiro degrau da calçada, olhe à volta. No centro da Praça dos Restauradores está um obelisco que lembra a Restauração da independência, em 1640, inaugurado já no final do século XIX. Encostado ao início da subida fica o Palácio Foz, um palácio de fachada cor-de-rosa, remodelado pelo Marquês de Foz, que hoje alberga o posto de turismo. É um edifício do século XVIII e sente-se: a escala é de palácio, não de prédio.

Calçada da Glória: Travessa do Fala Só
Calçada da Glória: Travessa do Fala Só

Ao lado está o antigo Eden Teatro, com fachada Art Déco da década de 1930, desenhada por Cassiano Branco, e que hoje funciona como aparthotel. Passe-lhe à porta devagar.

A estação do Rossio, a dois minutos a pé, tem uma fachada neomanuelina com portas em ferradura (e ninguém olha para ela, toda a gente está virada para o obelisco).

O elevador de 1885 e a paragem de setembro de 2025

O Elevador da Glória começou a funcionar em 1885. Foi o segundo funicular de Lisboa, usou no início contrapesos de água entre as duas carruagens e só foi eletrificado em 1915. Entre a Praça dos Restauradores e o Bairro Alto, pouco mais de duzentos e cinquenta metros de via, fez o trajeto durante mais de um século.

A 3 de setembro de 2025 o elevador descarrilou e morreram 16 pessoas. Desde então, parado.

Quem procura o horário ou o preço do bilhete do Elevador da Glória não tem nada para consultar. Um ano depois ainda não havia data oficial de reabertura, e a Carris apontava para 2029 a chegada de um equipamento totalmente novo. Como alternativa, a Carris criou a carreira 51E. O Funicular da Graça voltou a circular a 30 de abril de 2026.

Rosas brancas a meio da subida

Pelo meio da calçada está o memorial às vítimas do acidente. Deixe o telemóvel no bolso por uns segundos. Quando passámos ainda lá estavam rosas brancas, da homenagem de um ano depois, e a calçada seguia a sua vida em volta, com gente a subir e a descer à mesma hora.

Calçada da Glória: Homenagem
Calçada da Glória: Homenagem

A galeria de arte urbana que já lá não está

Quem procurar a galeria de arte urbana ao ar livre da Calçada da Glória chega tarde. Há uns anos as paredes estavam cobertas de grafitis, e davam à subida um ar muito mais urbano; foram removidos, e o que ficou é uma calçada neutra, de paredes limpas.

Calçada da Glória: Grafiti
Calçada da Glória: Grafiti

Confessamos que sentimos a falta da cor — era o que se fotografava a meio do fôlego.

O Miradouro de São Pedro de Alcântara, a nossa paragem favorita

No topo da calçada havia um grupo de idosos à espera do elevador. Não sabemos se alguém lhes tinha dito que já não anda — ou se calhar estavam só ali à sombra, a ver as instalações montadas no fim da subida. Mudámos de ideias duas vezes enquanto os observávamos.

Se é para descansar, descanse um pouco mais acima, no Miradouro de São Pedro de Alcântara, onde a vista é ligeiramente melhor. É o nosso miradouro favorito da zona. Tem dois patamares de jardim e, do cimo, a panorâmica vai da Avenida da Liberdade ao Castelo de São Jorge.

No patamar de baixo estão os bustos de deuses e heróis greco-romanos — Minerva, Ulisses — entre canteiros de arbustos aparados em formas geométricas. Sente-se aí se o de cima estiver cheio. Há também um quiosque com bebidas e petiscos, onde por vezes tocam músicos.

Do outro lado da rua fica o Solar do Vinho do Porto, num edifício do século XVIII, com mais de trezentos vinhos do Porto para provar, e é um bom porto de abrigo, em sentido literal.

A Igreja de São Roque, a dois passos do miradouro

A cinco minutos a pé do miradouro, no Largo Trindade Coelho, a Igreja de São Roque é a nossa segunda paragem. Fachada austera, de igreja jesuíta do século XVI; o interior é outra conversa, com capelas carregadas de talha e de dourados.

A Capela de São João Baptista, de barroco italiano, foi feita em Roma e montada em Lisboa. É considerada uma obra-prima do barroco italiano. A igreja pertence à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Entre mesmo que só tenha dez minutos.

O Museu de São Roque ocupa parte do edifício contíguo.

Num raio de 5 km: Chiado, Carmo, Castelo e Estrela

Descendo para o Chiado, o Convento do Carmo mantém a nave sem telhado desde o terramoto de 1755 e abriga o museu arqueológico; ali perto fica o Teatro Nacional de São Carlos, o único teatro de ópera de Lisboa.

Para o outro lado, o Miradouro de Santa Catarina, o do Adamastor, abre sobre o Tejo. Tem mais gente e mais barulho do que São Pedro de Alcântara, e por isso ficamos com este último para uma paragem curta e com Santa Catarina para o pôr do sol.

A Igreja de São Domingos, junto ao Rossio, perdeu o interior num incêndio em 1959 e reabriu com as marcas do fogo nas pedras; entra-se numa nave de pedra enegrecida.

Do outro lado do vale, o Castelo de São Jorge é a muralha que se vê do miradouro, e a Sé de Lisboa, de fachada românica com duas torres, fica mais abaixo, perto do rio. A oeste, a Basílica da Estrela tem o Jardim da Estrela em frente.

Um dia inteiro à volta da calçada

Comece cedo nos Restauradores, onde se chega de metro, e suba a pé antes de o calor apertar (a calçada não tem sombra que valha a pena). Pare no memorial, siga para o miradouro e deixe o Solar do Vinho do Porto para o fim do dia; nós quisemos ir logo, mas era cedo demais.

Siga depois para São Roque e almoce no Bairro Alto. De tarde, desça pelo Chiado até ao Carmo e guarde Santa Catarina para a luz do fim do dia.

Onde comer e custos médios

A subida e o miradouro não custam nada, e o orçamento do dia fica na mesa. Para uma ginjinha em pé, vá à A Ginjinha, no Largo de São Domingos, n.º 8, junto ao Rossio: um balcão minúsculo, copo na mão, rua cheia.

Para uma refeição a sério, a nossa escolha é a Cervejaria Trindade, na Rua Nova da Trindade, 20C, instalada num antigo convento, com azulejos pelas paredes; peça marisco ou amêijoas à Bulhão Pato. Fica perto do topo da calçada, e é por isso que está à frente da Casa do Alentejo.

A Casa do Alentejo, na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 58, tem pátio de inspiração mourisca e cozinha alentejana, e serve melhor a quem desce da calçada de volta aos Restauradores.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O Elevador da Glória está a funcionar?

Não, e a visita faz-se bem sem ele.

Quanto tempo demora a subir a Calçada da Glória a pé?

Entre dez e quinze minutos a passo normal, sem contar as paragens para fotografias nem para recuperar o fôlego. Connosco foi bastante mais.

Preciso de bilhete para subir a calçada?

Não. É uma rua pública e sobe-se quando apetecer, sem custo nenhum.

Compensa fazer o percurso ao contrário, a descer do Bairro Alto?

Cansa menos as pernas, mas perde-se o efeito de chegar ao miradouro no fim da subida. Se os joelhos pedirem descanso, é a melhor escolha.

Informações Práticas

Onde Estacionar

O parque subterrâneo da Praça dos Restauradores é a opção mais próxima do início da calçada: sai-se do carro e a rampa está ali ao lado. No Bairro Alto o estacionamento à superfície é escasso, e as ruas estreitas e de sentido único não perdoam quem se engana. Deixe o carro em baixo e suba a pé.

Transportes

O Metro de Lisboa tem a estação Restauradores (linha Azul) à entrada da praça, e a estação do Rossio, do comboio da linha de Sintra, fica a dois minutos a pé. Do lado do Bairro Alto, a estação Baixa-Chiado tem saída para o Chiado. Desde a paragem do elevador, a Carris criou a carreira 51E como alternativa.

Dicas Práticas

O piso é de calçada portuguesa polida pelo uso e escorrega, sobretudo com a pedra molhada; de sandália de sola lisa, a descida custa mais do que a subida. Sombra, a meio da rampa, quase não há. Para mobilidade reduzida, vá de metro até Baixa-Chiado e chegue ao miradouro pelo lado do Bairro Alto, com muito menos inclinação; a calçada em si não tem alternativa de piso liso.

💡 Dica de Ouro

Suba a pé pela calçada a admirar os painéis de arte urbana ao longo do muro ou viaje no icónico Ascensor da Glória para uma experiência tipicamente lisboeta até ao Miradouro de São Pedro de Alcântara.
🏛️ Ano de Construção: Século XIX
👤 Arquiteto: Raoul Mesnier du Ponsard
🎨 Estilo: Arquitetura Romântica / Industrial e Tradicional Lisboeta
📜 Património: Monumento Nacional

Vê também