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Rua dos Remédios: Comércio
Rua dos Remédios: a rua mais importante de Alfama

Rua dos Remédios: a rua mais importante de Alfama

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Rua dos Remédios, 1100-444 Lisboa
💶 Preço: gratuito
⏰ Horário:

Aberto 24 horas (espaço público)

Como Chegar (Google Maps)

Uma rua comprida, inclinada e quase nunca vazia

A Rua dos Remédios é das ruas com mais movimento em Alfama, e percebe-se ao primeiro minuto: há gente a subir, gente a descer, gente parada com o telemóvel no ar a tentar apanhar uma fachada. Fica no lado oriental do bairro, a poucos minutos a pé do Largo do Chafariz de Dentro e do Museu do Fado.

Rua dos Remédios: Turismo
Rua dos Remédios: Turismo

Sobe-se quase sempre.

A inclinação não assusta, mas junta-se à calçada de pedra polida e, com o piso molhado, escorrega mais do que se espera. Da última vez que passei por ali, numa tarde de calor, os turistas tinham ocupado as esplanadas debaixo dos chapéus de sol (e quem estava sentado não tinha pressa nenhuma de levantar) e eu fiz o mesmo. Faça-o também: a sombra, nesta rua, não abunda.

De um lado e de outro abrem-se escadarias estreitas que ligam a outras ruas do bairro. Entrei numa por engano e fui dar a um pátio com roupa estendida.

Rua dos Remédios: Comércio e Habitação
Rua dos Remédios: Comércio e Habitação

A ermida de Nossa Senhora dos Remédios e o seu portal manuelino

A principal referência histórica da rua é a ermida de Nossa Senhora dos Remédios, erguida por volta de 1517 e ligada desde o início aos pescadores de Alfama, que ali tinham a sua irmandade. Da construção original resiste o portal manuelino, com um brasão onde se distingue a pomba branca do Espírito Santo. O Guia Michelin chama-lhe igreja do Espírito Santo, e a confusão faz sentido: no século XVII a irmandade dos Remédios fundiu-se com a do Espírito Santo.

A porta estava fechada quando lá fui.

Fiquei pelo portal, o que já compensa, a olhar para a pomba até um grupo me pedir licença para a fotografia. Lá dentro guardam-se, segundo o que consultei, azulejos do século XVII na sacristia e a imagem da padroeira em madeira policromada. A capela foi remodelada no reinado de D. João V, restaurada depois do terramoto de 1755 e funciona hoje como capela mortuária.

Mesmo ali ao lado, no número 2 da Calçadinha de Santo Estêvão, há um segundo portal da mesma época.

O poço, a imagem e o nome da rua

Conta a tradição oral que a imagem de Nossa Senhora foi encontrada dentro de um poço, e que a água desse poço tinha fama de curar. Daí os Remédios: o nome da ermida passou à rua, e a rua guardou-o. O poço ainda lá estará, dentro da ermida. Não sei se se vê da entrada, porque, com a porta fechada, não cheguei a descobrir.

Os pescadores tomaram a devoção como sua. A irmandade tinha ali a sede.

Terramoto, becos e a imagem do bairro

Alfama assenta em terreno firme e foi dos bairros que melhor aguentaram o terramoto de 1755, razão pela qual o traçado medieval de becos e escadas chegou em grande parte até nós. A Rua dos Remédios é um dos eixos desse emaranhado, e as escadarias perpendiculares são o que melhor o mostra. Achei a rua mais estreita do que no mapa — ou então eram as mesas das esplanadas a apertar o passeio.

A ermida, essa, precisou de obras depois do abalo.

Azulejos, Santo António e uma legenda que não consegui ler

Os painéis de azulejos ao longo da rua lembram a devoção a Santo António. Um deles traz a data de 1749, mas a devoção é bastante mais antiga: Santo António nasceu em Lisboa, a poucos passos da Sé, e o bairro nunca o largou. Ao fim da tarde o reflexo do sol no vidrado não me deixou ler a legenda inteira, e tive de me contentar com as figuras. Vá de manhã, se quiser ler tudo.

Rua dos Remédios: Mural de Azulejos de 1749
Rua dos Remédios: Mural de Azulejos de 1749

O fado que se ouve na rua

No número 168 fica o Sr Fado, uma das casas de fado mais conhecidas de Lisboa, onde se ouve fado todos os dias. A rua afina antes das guitarras: perto da hora de jantar, as esplanadas esvaziam, as portas abrem-se e o som começa a descer pela calçada.

Rua dos Remédios: Sr Fado
Rua dos Remédios: Sr Fado

Para ouvir, a nossa escolha é uma casa como o Sr Fado, porque é à noite e ao vivo que o fado faz sentido. Para perceber a história do género, vale mais o Museu do Fado, no Largo do Chafariz de Dentro, a pouca distância.

Miradouros a poucos passos

O nosso miradouro favorito, a poucos minutos da rua, é o de Santa Luzia, por causa da pérgula coberta de buganvílias, que dá sombra a meio do dia, e dos painéis de azulejos que o acompanham. O das Portas do Sol, ao lado, tem esplanada e a estátua de São Vicente, mas enche mais depressa, por ser paragem do elétrico 28. Escolha o primeiro se quiser sentar-se com calma.

Em ambos se vê o casario de Alfama a descer até ao Tejo.

Monumentos num raio de cinco quilómetros

A Sé de Lisboa, de origem românica e com obras desde o século XII, fica a pouca distância a pé e vale uma visita pelo interior, que é fresco. Perto dali está a Casa dos Bicos, com a fachada coberta de pedras em ponta de diamante, que se reconhece à primeira.

Mais acima, a Igreja de Santo Estêvão serve de referência no meio dos becos, e o Castelo de São Jorge domina a colina, com as muralhas e a vista sobre a cidade. Leve água para a subida.

No lado oposto fica a Igreja de São Vicente de Fora, com o claustro e o panteão dos Braganças, e a Igreja de Santa Engrácia, hoje Panteão Nacional, no Campo de Santa Clara. É aí que se realiza a Feira da Ladra, às terças e aos sábados.

Roteiro de um dia na Rua dos Remédios

Comece cedo, antes de as esplanadas encherem. De manhã, suba até ao Miradouro de Santa Luzia, passe pela Sé e desça depois à Rua dos Remédios, para ver o portal da ermida e os azulejos com a luz que lhes assenta melhor. O almoço faz-se numa das esplanadas, à sombra.

À tarde, reserve tempo para São Vicente de Fora e para o Panteão Nacional, e deixe o fim do dia para o Castelo ou para as Portas do Sol. Ao jantar, o fado.

Levei um bilhete de elétrico que não usei.

Onde comer e custos médios

Subir a rua não custa nada. O orçamento do dia decide-se nas esplanadas e na casa de fado.

Nas esplanadas, o ritmo é o de uma bebida lenta à sombra: cerveja, ginjinha, um prato de sardinha assada quando é época. Para o fado, o Sr Fado, no número 168, é a morada de referência, com fado todos os dias.

Ao almoço, a nossa preferência vai para uma esplanada na própria rua, com mesa à sombra, em vez de uma sala interior. Na hora de maior calor a diferença é grande.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo é preciso para visitar a Rua dos Remédios?

A rua faz-se depressa. Com paragem numa esplanada, uma olhadela ao portal da ermida e uma volta pelas escadarias vizinhas, conte com uma manhã ou uma tarde.

Dá para ir de carro até à Rua dos Remédios?

Não compensa. As ruas de Alfama são estreitas e muitas têm acesso condicionado. Estacione num parque fora do bairro e suba a pé.

A Rua dos Remédios é acessível a cadeira de rodas?

É difícil. A rua é inclinada, a calçada é irregular e as travessas são escadarias. Quem tem mobilidade reduzida deve contar com ajuda.

Qual é a melhor altura do dia para ir?

De manhã, para ver a rua sem multidão. Ao fim da tarde, se o objetivo for o fado.

Informações Práticas

Onde Estacionar

Não entre em Alfama de carro. O parque subterrâneo do Campo das Cebolas, junto à Casa dos Bicos, é a nossa escolha, e dali sobe-se a pé pelas ruas do bairro. Ao fim de semana e nos dias de bom tempo, o movimento no Campo das Cebolas aumenta, por isso chegue cedo.

Transportes

Santa Apolónia é a estação mais próxima, de comboio e de metro (Linha Azul), e a subida faz-se a pé. Os elétricos 12 e 28 passam pelo Largo das Portas do Sol, onde fica o miradouro, e descem-se as escadarias até à rua.

Dicas Práticas

O piso é de calçada, escorregadio quando molha, e as travessas são escadarias sem alternativa plana. Leve sapatos de sola aderente. A sombra concentra-se nas esplanadas e na pérgula de Santa Luzia. De manhã a rua está mais vazia, e quem usa cadeira de rodas ou carrinho deve preparar-se para trocos difíceis.

💡 Dica de Ouro

Caminhe por esta histórica rua de Alfama para descobrir recantos pitorescos, escadarias tradicionais e miradouros escondidos, aproveitando para conjugar o passeio com uma visita ao Campo de Santa Clara ou à zona ribeirinha.
🏛️ Ano de Construção: 1756
🎨 Estilo: Arquitetura Tradicional / Popular Pombalina
📜 Património: Sem classificação

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