
Praça de São Paulo: a vizinha da Pink Street
📌 Informações Práticas
Aberto 24 horas (espaço público)
Manhã cedo na praça, com a Pink Street ainda de ressaca
Chegámos logo pela manhã e a Rua Nova do Carvalho, a Pink Street, ainda estava a pagar a conta da noite anterior: copos, garrafas, papéis e restos de comida espalhados pelo piso cor-de-rosa. Se quiser perceber porque é que esta é uma das zonas mais animadas de Lisboa, passe por aqui às primeiras horas do dia e veja o outro lado da festa.

Em poucas horas, tudo desaparece.
A Praça de São Paulo fica a poucos passos, na freguesia da Misericórdia, e o barulho da rua some-se assim que se entra: árvores, bancos, um chafariz ao centro e, ao lado, o quiosque. Achámo-la mais pequena do que nas fotografias (ou então foi a manhã, que muda a escala de tudo), e ainda bem. Um pombo passeava entre as mesas, muito ocupado com uma côdea, e foi a única coisa em movimento durante uns minutos.
A Igreja de São Paulo, refeita depois do terramoto de 1755
A igreja que hoje se visita na Rua de São Paulo, a pouca distância da praça, não é a primeira que ali existiu. A construção original, do século XV, perdeu-se no terramoto de 1755. A atual foi levantada no final do século XVIII, na onda da reconstrução pombalina, e a fachada de duas torres tem a sobriedade que se espera dessa época.

As torres serviam de referência aos marinheiros.

Entre e olhe para cima. O teto tem uma pintura de Jerónimo de Barros Ferreira que dá a ilusão de abrir o telhado para o céu, e é por causa dela que dizemos, sem rodeios, que esta é a visita mais subvalorizada da zona: fica a um passo do roteiro das esplanadas e raramente entra nele.


O Chafariz de São Paulo e a praça desenhada depois do terramoto
A praça tal como a vemos hoje formou-se logo a seguir a 1755 e é um dos exemplos mais legíveis do desenho dessa época em Lisboa. O Chafariz de São Paulo ocupa o centro, rodeado de árvores e de calçada portuguesa, e é o elemento que mais aparece nas fotografias da zona.

O chafariz marca o centro exato do largo.
Sente-se num dos bancos virados para ele e repare como o espaço é pequeno para tanta fama: cabem ali as árvores, as mesas do quiosque e pouco mais.
O Quiosque de São Paulo, o único quiosque privado de Lisboa
Em 1903, um tal Januário da Silva montou aqui uma banca de refrescos onde vendia capilé, e em 1914 apresentou à Câmara o projeto do quiosque que ainda hoje lá está (antes deste, terá existido por volta de 1870 um primeiro quiosque na praça). Vendeu-o em 1920 a António Castanheira, e a família manteve-o durante três gerações, o que explica que seja privado desde 1932, caso raro numa cidade onde os outros quiosques históricos pertencem à Câmara. Hoje é de Catarina Portas e João Regal.

Desde 2020 a gestão cabe a André Magalhães, da Taberna da Rua das Flores, e a carta recupera os botequins e licoristas da Lisboa antiga: vinho quinado, amarguinha, capilé, groselha, flor de sabugueiro. Para comer, ovos verdes, pastéis de massa tenra, bolinhos de bacalhau e punheta de bacalhau. A sandes de lula frita é a que mais fama tem, e é a nossa escolha sem hesitar.
Na abertura de 2020, a esplanada tinha trinta lugares. Os ovos verdes custavam 1,50 €, os pastéis de massa tenra 1,80 € e a sandes de cachaço com batatas 5 €.
O mercado de produtores que já não é aqui
Foi na Praça de São Paulo que, em 31 de outubro de 2020, a mercearia Comida Independente estreou um mercado de produtores, aos sábados, das 10h às 16h, em parceria com a Junta de Freguesia da Misericórdia. Cada sessão tinha um legume da época e um cozinheiro convidado a fazer street food com ele.
Em 2022 mudou de morada.
O mercado passou para a Travessa Cais do Tojo, em Santos, junto à loja, e é lá que o deve procurar, não na praça. Levava fruta e legumes do Quiosque da Natureza, queijos e mel da Casa Pratas e o Pão do João. Se for, leve saco.
O que ver num raio de 5 km a partir da praça
O Ascensor da Bica arranca na Rua de São Paulo, a pouca distância da praça, e sobe a Rua da Bica de Duarte Belo, uma das ruas mais fotografadas da cidade. Nós encontrámo-lo parado e subimos a pé, por uma rampa que não perdoa. Não sei se é sempre assim, mas não conte com ele sem o ver primeiro a andar.
Mesmo ao lado, na Avenida 24 de Julho, fica o Time Out Market, o antigo Mercado da Ribeira. As filas de antigamente para a água foram substituídas pelas filas para a comida. Preferimos a esplanada do quiosque: há lugar para ficar sentado sem esperar, e a conversa ouve-se.
O Miradouro de Santa Catarina, a uns minutos a pé e sempre a subir, é o nosso miradouro favorito desta zona. Preferimo-lo ao de São Pedro de Alcântara porque tem o rio e a ponte à frente, sem edifícios pelo meio.
Já no Chiado, o Largo do Carmo mostra as ruínas do Convento do Carmo, com a nave sem telhado desde 1755, onde funciona o Museu Arqueológico do Carmo, e o Chafariz do Carmo, de 1771. Mais abaixo, a Praça do Comércio e a Sé de Lisboa cabem na mesma tarde, se andar sem pressa.
Onde comer e custos médios
O Quiosque de São Paulo (Rua de São Paulo, 1200-429 Lisboa) é onde recomendamos começar e acabar: lula frita, ovos verdes, um copo de vinho quinado. A praça não custa nada, por isso a refeição é o único custo real do dia.
O Time Out Market Lisboa (Avenida 24 de Julho, 49) reúne bancas de cozinha de autor sob o mesmo teto, boa solução para um grupo que não se entende sobre o que comer.
A Taberna da Rua das Flores, no Chiado, é a casa-mãe dos taberneiros que gerem o quiosque. Em 2020 tinha apenas 14 lugares, por isso vá cedo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo devo reservar para a Praça de São Paulo?
Meia manhã chega para a praça, a igreja e um petisco. Se juntar o Chiado e os miradouros, conte com o dia todo.
A Praça de São Paulo é gratuita?
Sim, é um largo público de acesso livre. Só paga o que consumir na esplanada.
Qual é a melhor altura do dia para visitar?
De manhã, antes de a rua acordar, a praça está calma e dá para ver a igreja sem pressa. Ao fim da tarde a esplanada enche e o ambiente muda.
Vale a pena para quem não gosta de festa?
Vale. Durante o dia a praça é sossegada. A noite é que pertence aos bares da zona.
Informações Práticas
Onde Estacionar
Venha sem carro. O estacionamento à superfície na zona é pago, a cargo da EMEL, e as ruas à volta da praça são estreitas e disputadas, sobretudo à noite, quando o bairro enche. Se vier mesmo de carro, deixe-o fora da zona ribeirinha e faça o resto de comboio ou metro.
Transportes
A estação do Cais do Sodré fica a poucos minutos a pé da praça: ali termina a linha de comboio de Cascais, passa a linha verde do metro e saem os barcos para Cacilhas. O elétrico 15E também passa por perto. Do Chiado, desce-se pela Rua do Alecrim.
Dicas Práticas
A calçada em volta do chafariz fica escorregadia depois da chuva, e a Rua de São Paulo e a Bica sobem a sério. A praça é plana, mas o piso de calçada incomoda cadeiras de rodas e carrinhos de bebé. Para ver a praça calma, venha de manhã.









