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Convento dos Cardaes: Interior
Convento dos Cardaes: O convento com interior barroco mas que passa despercebido

Convento dos Cardaes: O convento com interior barroco mas que passa despercebido

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Rua de O Século, 123, 1200-434 Lisboa
💶 Preço: medio
⏰ Horário:

Quarta-feira a segunda-feira, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 17:00 (Terça-feira: Encerrado)

Como Chegar (Google Maps)

Uma fachada branca na Rua do Século

A fachada engana. Branca, maciça, com poucas janelas e uns riscos de graffiti junto ao chão, o Convento dos Cardaes passa despercebido a quem sobe a Rua do Século a caminho do Príncipe Real. Fica no número 123 e é um dos poucos edifícios de Lisboa que o terramoto de 1755 deixou quase sem marcas, razão pela qual tanta gente o conhece como o convento que resistiu ao terramoto de 1755 em Lisboa.

Convento dos Cardaes: Fachada
Convento dos Cardaes: Fachada

Pare no pórtico antes de entrar. Está lá a imagem de Nossa Senhora da Conceição, a quem a casa é dedicada. Fotografámo-la duas vezes porque a primeira saiu tremida, um pormenor sem importância nenhuma, mas foi o que nos ocupou ali uns minutos.

Logo à entrada o caminho bifurca. Para um lado segue-se para o museu, para o outro para a igreja, e depois de uma dúvida que durou talvez meio minuto escolhemos a igreja. O museu ficou por ver.

Museu e loja ficam na mesma morada, Rua do Século, 123, 1200-434 Lisboa.

D. Luísa de Távora e a fundação em 1681

O convento foi fundado em 1681 por D. Luísa de Távora, depois da morte do marido, para receber freiras Carmelitas Descalças. A construção arrancou em 1677 e prolongou-se até 1703, ano da intervenção do arquiteto João Antunes (duas décadas de obra, para quem se queixa do estaleiro da esquina).

A regra carmelita limitava o contacto com o mundo e o edifício obedece-lhe: paredes cegas para a rua, poucas aberturas, e o conjunto (igreja, dois claustros, sala do capítulo, refeitório) arrumado para dentro e adaptado ao declive do terreno.

Cardaes vem de cardos, e o nome ficou colado à casa.

Num painel de azulejo da igreja conta-se parte da história da fundadora.

A igreja: azulejos de Jan van Oort e talha dourada

Entrámos a pensar que era mais uma igreja com os tradicionais azulejos nas paredes. Foi preciso levantar a cabeça para mudar de ideias. Os painéis datam de 1692 e saíram da oficina de Jan van Oort, um dos grandes nomes do azulejo em Amesterdão, e contam a vida de Santa Teresa de Ávila, a santa carmelita venerada na casa. São os únicos que ele assinou.

Convento dos Cardaes: Interior
Convento dos Cardaes: Interior

O retábulo do altar é de 1693 e conta-se entre os melhores exemplos de talha dourada de Lisboa. À volta há oito pinturas em molduras douradas, chão de mármore e muito azul e branco a subir pelas paredes.

Das paredes passa-se ao teto, coberto de pinturas. Na altura chamámos-lhe frescos, mas não sabemos distinguir um fresco de uma tela de óleo a essa altura, e as descrições que encontrámos falam de oito telas emolduradas. Fique com as duas versões e veja você.

Convento dos Cardaes: Lateral com Pintura e Azulejos
Convento dos Cardaes: Lateral com Pintura e Azulejos

Esta mistura de ouro e azulejo é típica do barroco português, e poucos sítios na cidade a mostram tão inteira. Entre as igrejas do Bairro Alto e do Príncipe Real, é a nossa preferida, e a razão são os painéis assinados: nenhuma outra nos obrigou a ficar parados tanto tempo. Entre sem pressa.

O que o terramoto de 1755 não derrubou

Quando a cidade caiu, o convento ficou de pé quase sem estragos. Como nunca interrompeu a atividade religiosa, conservou o recheio: mobiliário, pintura e peças de arte sacra do século XVII, tudo no sítio.

O edificado ocupa cerca de cinco mil metros quadrados, com um claustro de laranjeiras (laranjeiras, sim, em plena Lisboa) onde a luz entra de lado. Em 1998 o arquiteto Victor Mestre assinou uma intervenção no conjunto, já com o convento ocupado por uma comunidade que não saiu durante as obras.

Convento dos Cardaes: Altar
Convento dos Cardaes: Altar

O refeitório continua a usar as mesas e os bancos de origem.

Do asilo para cegas ao lar de hoje

Em 1876 morreu a última freira carmelita. Com a extinção das ordens religiosas, o convento passou para a Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos, que ali montou um asilo para cegas, entregue aos cuidados das Irmãs Dominicanas. A casa continuou sempre em uso religioso, agora com a Ordem Terceira de São Domingos.

A vertente social do convento ocupa o edifício todo. Vive aqui uma comunidade de cerca de três dezenas de mulheres com deficiência, e as Irmãs Dominicanas e a associação gerem a casa como um lar, ao mesmo tempo que cuidam do património. Cada bilhete de museu ajuda a sustentar o dia a dia da casa.

Para além da visita guiada, o convento abre as portas em ocasiões como o Chá Solidário. E há a loja, com compotas e bolachas feitas na cozinha da casa. Compre as bolachas.

Bilhetes, horários e línguas da visita guiada

As visitas decorrem de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 16h15, que é também a última entrada. À terça está fechado (a terça é o dia em que não vale a pena subir a rua).

O bilhete normal custa 8 €. Maiores de 65 anos e estudantes pagam 6 €, as crianças dos 6 aos 12 anos pagam 3 € e o bilhete de família, para dois adultos e duas crianças até aos 17 anos, fica nos 20 €. Dois adultos pagam, portanto, 16 €. Quem tiver o Lisboa Card tem 20% de desconto.

Para agendar uma visita guiada em inglês ou francês, escolha a data no site do convento: ele mostra as horas e as línguas disponíveis nesse dia. As visitas fazem-se em português, inglês ou francês consoante o horário. Reserve com antecedência se for em grupo.

O balcão do museu e loja funciona de quarta a segunda, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. A equipa responde por WhatsApp, no +351 916 455 336.

À volta da Rua do Século: Príncipe Real, São Roque e São Pedro de Alcântara

Descendo meia dúzia de ruas chega-se ao Jardim do Príncipe Real, com um cedro de copa tão larga que dá sombra a metade do jardim. Por baixo está o Reservatório da Patriarcal, uma cisterna de pedra do século XIX.

A Igreja de São Roque, no Bairro Alto, tem a Capela de São João Baptista, feita em Roma e transportada para Lisboa no século XVIII. Fica a poucos minutos a pé, e vale uma entrada.

Dos miradouros da zona, o nosso preferido é o de São Pedro de Alcântara: olha o Castelo de São Jorge de frente, do outro lado do vale, e tem lá ao lado o Elevador da Glória. É de finais do século XIX. Suba por ele, ou desça se vier do Bairro Alto.

O Convento do Carmo, já no Chiado, mostra o outro lado do mesmo terramoto: a nave ficou sem teto. Fundado em 1389, tem hoje o museu arqueológico da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

Para lá do bairro, até aos cinco quilómetros: Estrela, Jardim Botânico e Belém

A Basílica da Estrela, do final do século XVIII, destaca-se pela cúpula e tem o Jardim da Estrela mesmo à frente, com bancos à sombra. Faz-se bem a pé a partir do Príncipe Real.

O Jardim Botânico, na Rua da Escola Politécnica, tem estufas e canteiros do século XIX, e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência fica ao lado.

Belém já fica um pouco além dos cinco quilómetros, no limite do raio, mas chega-se bem de elétrico. O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém ficam um ao lado do outro, e ambos pedem uma tarde.

Como montar o dia

Comece pelo convento, logo de manhã, que é quando a visita guiada não tem pressa e a Rua do Século ainda está calma. Depois do convento, desça ao Jardim do Príncipe Real e passe pelo Reservatório da Patriarcal.

Almoce no Bairro Alto ou no Chiado. A seguir vem a Igreja de São Roque, e a meio da tarde o miradouro de São Pedro de Alcântara, com o Elevador da Glória para descer. Se ainda houver luz, acabe nas ruínas do Carmo.

A Estrela e o Jardim Botânico ficam para o dia seguinte.

Onde comer e custos médios

Almoçámos na Cervejaria da Trindade, na Rua Nova da Trindade, instalada num antigo convento e forrada de azulejos. Peça o marisco, que é o que lá se vai buscar. Depois de uma manhã a olhar para azulejos, continuar a olhar para azulejos à mesa tem a sua graça.

À volta do Jardim do Príncipe Real há cafés onde parar para um café e uma sombra.

Antes de sair do convento, leve compotas e bolachas da loja. É o lanche que sai da própria casa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto tempo dura a visita guiada ao Convento dos Cardaes?

Pouco menos de uma hora, o que dá para ver tudo e ainda sobra tempo para a loja. As compotas, já agora, esgotam.

Posso tirar fotografias no interior do convento?

Sim, a fotografia é permitida.

O que é o Chá Solidário do Convento dos Cardaes?

É um evento em que o convento abre as portas ao fim da tarde para uma visita guiada seguida de chá, por altura do Natal. O que se paga serve para apoiar a casa e quem lá vive.

O Convento dos Cardaes tem acesso para pessoas com mobilidade reduzida?

A ficha oficial do edifício classifica a acessibilidade como restrita. A equipa do museu responde pelo WhatsApp que consta nas Informações Práticas.

Informações Práticas

Onde Estacionar

O parque subterrâneo mais citado pelo próprio convento é o Telpark do Largo de Jesus, a cerca de oito minutos a pé da Rua do Século. Nos dias de eventos, a organização aconselha táxi ou Uber. Acompanhamos o conselho: as ruas estreitas do Príncipe Real não ajudam quem anda à procura de lugar.

Transportes

De autocarro, servem a zona as carreiras 19B, 22B, 758 e 773. De elétrico, os 24E e 28E. De metro, as estações mais próximas são Rato (linha amarela), Avenida (linha azul) e Baixa-Chiado (linhas azul e verde).

Dicas Práticas

A calçada portuguesa do Príncipe Real escorrega com chuva e as ladeiras até ao Bairro Alto cansam mais do que o mapa sugere. Chegue uns minutos antes da hora marcada: a visita é guiada e arranca à hora certa, não se entra e sai a gosto.

💡 Dica de Ouro

Participar numa visita guiada para admirar a extraordinária talha dourada e os painéis de azulejos setecentistas que escaparam miraculosamente ao terramoto de 1755.
🏛️ Ano de Construção: 1681
👤 Arquiteto: João Nunes Tinoco
🎨 Estilo: Estilo Chão / Barroco
📜 Património: IIP (Interesse Público)

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