
Praça das Flores: o Jardim Paraíso para descanso ou trabalho
📌 Informações Práticas
Aberto 24 horas (espaço público)
Fonte ao centro, bancos à volta
A Praça das Flores cabe num olhar: uma fonte no meio, árvores a dar sombra e meia dúzia de bancos em redor.
Passámos lá numa manhã quente, pouco depois das nove, e quase todos os bancos já tinham dono — gente a tomar o pequeno-almoço, gente só a aproveitar o tempo livre e uma pessoa de portátil aberto, a fazer render o sol da manhã. Ficámos de pé junto à fonte, que não é a melhor maneira de apreciar um jardim.
Chegue antes das nove. O banco virado para a fonte é o nosso favorito da praça, com sol de manhã e vista para toda a gente que a atravessa.

Um pombo rondava a mesa ao lado, sem o mínimo interesse em nós.
O quiosque roxo da entrada
À entrada, o quiosque pintado de roxo faz lembrar açaí logo à distância. Pouco depois das nove não nos pareceu a melhor ideia para o estômago e seguimos para outro lado, mas a cor continua a ver-se da rua.

A esplanada estava cheia desde cedo. Não sei se é sempre assim ou se apanhámos uma manhã especialmente concorrida.
Muitos dos clientes são estrangeiros. Nas portas dos cafés à volta, as filas para o brunch formam-se cedo.
Pão de Canela e o parque infantil
O Pão de Canela fica mesmo ao lado do pequeno parque infantil, e a vizinhança serve bem quem anda com crianças. Peça o café, escolha a mesa de onde se vê o parque e deixe os pais fazer o resto sem se levantar.

O parque estava vazio quando passámos — um sossego raro, a essa hora, num jardim de bairro.
Não sabemos se ao fim de semana fica assim.
Do século XIX à praça de hoje
A praça nasceu no século XIX, quando esta encosta entre o Bairro Alto e o Príncipe Real se foi enchendo de prédios de rendimento e casas de gente com posses. Antes disso, ao que se conta, era terreno mais aberto do que rua.

O bairro mantém a escala baixa. Aqui a única coisa que sobe é a fila do brunch.
Poucos andares a rodear o jardim, sem torre nenhuma a roubar o céu.
Arquitetura romântica à volta da praça
Levante os olhos do ecrã e repare nas fachadas: três e quatro andares, cores que o sol foi desbotando. As varandas são de ferro.
Achámos o conjunto lindíssimo — ou talvez fosse só a luz da manhã a ajudar. É a arquitetura romântica do século XIX em formato de bairro, e vê-se melhor de junto da fonte do que de qualquer esquina.

Numa das portas entrámos no átrio a pensar que era um café. Saímos mais depressa do que tínhamos entrado.
Trabalhar, morar e o que o bairro perdeu
A praça não é um cenário para turistas. É a sala de estar de quem vive e trabalha por perto (vimos o portátil aberto num banco, e para uma manhã de e-mails ao sol é difícil fazer melhor).

Quem conhece o bairro de há mais tempo dirá quantos comércios tradicionais deram lugar a cafés de brunch. Nós só vimos o resultado, que são as filas.
Para morar, ficávamos com a Flores e não com o Príncipe Real: aqui há fonte e bancos, ali mais montras (as imobiliárias sabem isto melhor do que ninguém).
Para onde ir a menos de 5 km
O Jardim do Príncipe Real fica a poucos minutos a pé. Na mesma praça, a galeria Embaixada ocupa o Palácio Ribeiro da Cunha, com lojas e design (não é barata, mas passear de graça).
O nosso miradouro favorito é o de São Pedro de Alcântara: vista larga para o Castelo e para a Baixa, a poucos passos de tudo o resto.
Para sombra e silêncio, o Jardim Botânico, ligado ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, é a melhor escolha. Paga-se bilhete à entrada.
A descer para a Estrela, a basílica tem em frente um jardim que serve de merenda ao fim da tarde.
Um dia na Praça das Flores
Comece junto à fonte, antes de os bancos encherem, e tome o pequeno-almoço no Pão de Canela ou numa esplanada. Suba depois ao Príncipe Real e dê-se ao tempo de entrar nas lojas e na galeria.
Almoce onde calhar e guarde a tarde para o Jardim Botânico, que pede passo lento. Ao fim do dia, São Pedro de Alcântara com o Castelo a escurecer.
Volte à praça já de noite. Nas ruas à volta há bares de vinho natural, e escolher o que tiver mais gente à porta é o método que nunca nos falhou.
Se gosta de fotografar, madrugue: as fachadas desbotadas agradecem a luz baixa.
Onde comer e custos médios
Entrar na praça não custa nada. O orçamento é o da mesa.
Para pequeno-almoço, o Pão de Canela, mesmo ao lado do parque infantil, é a nossa primeira escolha para quem vai com crianças: o café fica ao lado dos mais pequenos, e isso vale mais do que qualquer carta.
O quiosque roxo vende o que a cor promete, mas pouco depois das nove não o recomendamos como primeira refeição do dia.
Para brunch, vá cedo ou aceite a fila — nós preferimos a fila a uma mesa ao sol, quando a há.
Ao fim do dia, as ruas à volta enchem-se de bares de vinho natural. Dê uma volta antes de escolher.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo devo reservar para a Praça das Flores?
Meia hora chega para dar a volta à praça. Com pequeno-almoço e os arredores, conte com o dia inteiro.
Dá para ir com carrinho de bebé?
Dá. O que custa é a subida desde o Rato, porque lá em cima a praça faz-se bem.
É melhor ir em dia de semana ou ao fim de semana?
Preferimos dia de semana, porque há menos gente à espera de mesa.
Há hotéis perto da Praça das Flores?
Há alojamento nas ruas à volta, a julgar pelo número de turistas que se veem de manhã na esplanada. Nós não dormimos por lá, mas acordar ao lado da fonte deve ter o seu encanto.
Informações Práticas
Onde Estacionar
Estacionar à volta da praça é complicado: as ruas são estreitas e o lugar de rua costuma ser pago pela EMEL. Deixámos o carro mais longe e subimos a pé. De manhã, quando os cafés enchem, a circulação à volta aperta ainda mais.
Transportes
O metro mais próximo é o Rato, na Linha Amarela, a pouco mais de dez minutos a pé, sempre a subir. Outra opção: o Elevador da Glória até São Pedro de Alcântara e depois a pé pelo Príncipe Real. Várias carreiras da Carris param no Largo do Rato.
Dicas Práticas
A calçada portuguesa das ruas à volta escorrega com chuva. Chegue antes das nove, se quer banco. Com carrinho de bebé, conte com a subida desde o Rato. No parque infantil, a hora calma foi a manhã.









