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Campo de Santa Clara: Feira no Relvado
Campo de Santa Clara: a Feira da Ladra e arredores

Campo de Santa Clara: a Feira da Ladra e arredores

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Campo de Santa Clara, 1100-471 Lisboa
💶 Preço: gratuito
⏰ Horário:

Aberto 24 horas (espaço público; as feiras e comércio local operam em horários específicos, nomeadamente às terças-feiras e sábados)

Como Chegar (Google Maps)

Num dia sem feira, o Campo de Santa Clara é uma praça tranquila com ruas encostadas e um jardim virado ao rio. À terça e ao sábado fica irreconhecível. Quem pergunta onde fica a Feira da Ladra encontra-a aqui, atrás do Mosteiro de São Vicente de Fora e debaixo da cúpula do Panteão Nacional. Este roteiro de um dia junta feira, monumentos, miradouro e almoço, com os custos e o estacionamento à vista.

Uma praça que muda de cara duas vezes por semana

Passámos pelo Campo de Santa Clara pela primeira vez numa quarta-feira, a meio de uma subida desde Santa Apolónia, e achámos que tínhamos vindo ao sítio errado. Lugares vagos, ruas laterais sossegadas, um quiosque a abrir. Voltámos ao sábado seguinte e a mesma praça tinha bancas até ao fim do passeio.

Campo de Santa Clara: Feira da Ladra
Campo de Santa Clara: Feira da Ladra

O jardim chama-se Botto Machado e funciona como miradouro de Santa Clara, com entrada livre a qualquer hora, quiosque e vista larga sobre o Tejo (uma bica ali, antes de começar a regatear, sabe melhor do que parece). O jardim tem parque para cães.

Campo de Santa Clara: Miradouro
Campo de Santa Clara: Miradouro

As ruas à volta ficam à mercê da feira nos dias de mercado. Dê meia hora ao jardim antes de entrar nos monumentos.

Do Campo da Forca ao nome de Santa Clara

A colina liga-se à conquista de Lisboa em 1147, quando a primeira igreja dedicada a São Vicente foi erguida fora das muralhas. Durante séculos o campo teve pouca gente a viver nele, e por isso serviu de lugar de execuções. Chegou a chamar-se Campo da Forca.

Os reis olharam para o sítio com outros olhos. D. Manuel I quis ali paços e uma igreja paroquial, e a infanta D. Maria, sua filha, mandou começar em meados do século XVI a Igreja de Santa Engrácia, que acabaria por ser o Panteão Nacional.

Em 1288, já no reinado de D. Dinis, o Mosteiro de Santa Clara ocupou a parte oriental do campo.

Feira da Ladra: terça e sábado, mais de sete séculos de regateio

A feira diz-se de 1272, quando se montava junto ao Castelo de São Jorge, e andou por vários largos de Lisboa até assentar no Campo de Santa Clara em 1882. O sábado juntou-se à terça no início do século XX. Hoje abre pelas nove da manhã e vai desmontando a meio da tarde, e entra-se sem pagar.

O nome tem mais explicações do que a feira tem bancas numa terça de chuva.

Os colecionadores procuram moedas, selos e armas antigas. Nas bancas vizinhas passam discos de vinil, roupa vintage, bibelôs e eletrodomésticos que já viram melhores dias. Num sábado, reparámos num sapato esquerdo, sozinho, com o preço escrito a marcador na sola. Nunca soubemos onde estava o direito.

Se não fala português, a calculadora do telemóvel resolve quase tudo: escreva o seu número, mostre, sorria. Quem vende contrapõe e a conversa fica por aí.

Chegue às nove em ponto. Quem procura peças de colecionismo antes dos revendedores tem de estar lá quando as bancas ainda se montam.

Campo de Santa Clara: Mural
Campo de Santa Clara: Mural

Com azulejos e arte sacra, desconfiámos sempre do que parecia perfeito demais. O vidrado antigo tem falhas, o barro tem irregularidades, e uma banca que jura ter dez azulejos iguais não tem nenhum antigo.

Panteão Nacional: a igreja que levou séculos a acabar

O Panteão Nacional ocupa a antiga Igreja de Santa Engrácia. As obras arrastaram-se tanto que deram origem à expressão “obras de Santa Engrácia”, usada para tudo o que nunca mais acaba. Só nos anos 60 do século XX a cúpula ganhou a forma atual, por mão do engenheiro Edgar Cardoso, e em 1966 o edifício foi inaugurado como Panteão.

Por dentro, domina o mármore colorido numa planta centrada. Há túmulos de escritores e de presidentes da República, o cenotáfio de Nuno Álvares Pereira e, entre os mais procurados, os de Amália Rodrigues e de Eusébio.

O bilhete normal custa 10 € e abre-se de terça a domingo, das 10h às 17h ou 18h, conforme a época. Fecha à segunda.

Suba ao terraço que circunda a base da cúpula. Preferimo-lo ao jardim Botto Machado e ao próprio terraço de São Vicente, porque dá a volta completa e põe o Tejo, os telhados de Alfama e as torres de São Vicente no mesmo olhar.

Conta a tradição oral que a praga sobre a obra veio de Simão Pires, um jovem que visitava o convento vizinho de Santa Clara para ver a noviça Violante. Foi acusado do roubo de relíquias da igreja e, condenado, terá jurado que a obra nunca se acabaria.

São Vicente de Fora, o vizinho dos azulejos

Do Panteão a São Vicente de Fora são dois minutos a pé. O nome explica-se pela posição: a primeira igreja dedicada ao padroeiro de Lisboa ficava fora das muralhas medievais. Do templo românico não resta quase nada. O edifício atual vem da reconstrução ordenada por Filipe II de Espanha, no final do século XVI, com uma fachada de linhas sóbrias e duas torres que se avistam de metade de Alfama.

Dentro, a igreja é forrada a cantaria e mármore, com as capelas do Santíssimo e de Nossa Senhora do Pilar entre as mais antigas, e um órgão barroco que se destaca. No mosteiro, os claustros estão revestidos de azulejos barrocos, incluindo uma série com as fábulas de La Fontaine, e o Panteão Real da dinastia de Bragança guarda os últimos reis de Portugal.

Há ainda uma cisterna medieval e os terraços sobre o Tejo. O horário vai das 10h às 18h.

Perdemos a conta aos degraus da escadaria de entrada (uns doze, ou vinte).

Mercado de Santa Clara e os alfarrabistas das laterais

O Mercado de Santa Clara foi inaugurado em outubro de 1877, com projeto do arquiteto Emiliano Augusto de Bettencourt. Foi dos primeiros edifícios cobertos para venda de alimentos feitos em ferro e vidro. É o último exemplar da arquitetura do ferro que Lisboa conserva dessa época.

Achámos o edifício mais pequeno do que esperávamos, ou talvez fosse só a cúpula do Panteão ao lado a roubar-lhe a escala.

No centro há hoje um espaço dedicado às artes culinárias. Nas laterais vivem alfarrabistas, lojas de antiguidades e artesãos, e é ali que vale a pena voltar fora de terça e sábado. Numa visita a meio da semana, duas portas estavam fechadas sem aviso. Não sabemos se é sempre assim.

Campo de Santa Clara: Mercado
Campo de Santa Clara: Mercado

Alguns restaurantes das laterais servem os turistas que param para um cafezinho entre caminhadas.

Quartéis, fardas e o Casão Militar

Durante muitos anos o Campo de Santa Clara foi um dos principais centros militares de Lisboa. Passavam por aqui os que embarcavam para o Ultramar, e as ruas vizinhas tinham lojas de equipamento militar, com trajes que se podiam comprar novos ou em segunda mão.

Ainda hoje o Casão Militar de Santa Clara funciona no Palácio dos Condes de Resende, num edifício que se identifica pela fachada e pelo movimento de farda à porta. Das lojas antigas ficou a memória, e nas bancas da feira aparece de vez em quando o que sobrou delas.

O portão do palácio estava fechado quando lá passámos.

Roteiro a pé: do Campo aos miradouros de Alfama

Saindo do Campo de Santa Clara, a descida para Alfama é curta. O Miradouro de Santa Luzia é o que mais recomendamos: tem uma pérgola coberta de flores e painéis de azulejos, e a vista cai direta sobre os telhados e o rio. Em Portas do Sol, ao lado, a vista é igual mas a confusão é maior, e preferimos Santa Luzia por isso.

Mais abaixo ficam a Sé de Lisboa e, noutra direção, o Castelo de São Jorge. Para o lado norte da colina, a Igreja e o Miradouro da Graça e, mais acima, o Miradouro da Senhora do Monte.

Junto à estação de Santa Apolónia está o Museu Militar de Lisboa, que fecha bem o fio militar do Campo. A pouco mais de dois quilómetros, no antigo Convento da Madre de Deus, fica o Museu Nacional do Azulejo.

Onde comer e quanto custa o dia

O nosso almoço de eleição é o Santa Clara dos Cogumelos, no piso superior do Mercado de Santa Clara, na morada Campo de Santa Clara – Mercado de Santa Clara, 7.1, Lisboa (telefone +351 913 043 302). A cozinha é portuguesa e os cogumelos têm o papel principal. Peça o que levar cogumelos e deixe o resto da carta para outro dia.

Para o café do meio da manhã, escolhemos o quiosque do jardim Botto Machado. Tem vista sobre o Tejo, e nunca esperámos mais de uns minutos pela bica. As esplanadas das laterais do mercado servem os turistas, e preferimos subir ao piso superior.

Na parte das contas: a entrada na feira é gratuita, o jardim também, e o Panteão custa 10 €. Some o bilhete do mosteiro de São Vicente e um almoço, e o dia fica pelas despesas de um passeio normal em Lisboa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Posso regatear os preços na Feira da Ladra?

Pode, e quem vende já conta com isso. Ofereça menos do que pedem, sem pressa, e esteja preparado para se afastar da banca: é comum chamarem de volta.

As bancas aceitam cartão?

Poucas. Leve notas pequenas e moedas, porque a maior parte das bancas de rua vive de dinheiro vivo.

Quanto tempo devo reservar para o roteiro completo?

Meio dia chega para a feira e um monumento. Para os dois monumentos e o almoço no mercado, conte com o dia todo, e com o facto de uma banca de discos lhe poder comer uma hora sem avisar.

O que acontece se chover?

Chuva e feira dão mau casamento. Os monumentos continuam abertos e o mercado coberto serve de abrigo, mas a feira costuma encolher.

Informações Práticas

Onde Estacionar

No Campo de Santa Clara e nas ruas adjacentes o estacionamento é pago e quase impossível à terça e ao sábado, quando as bancas ocupam a praça. Deixe o carro no parque junto à estação de Santa Apolónia e suba a pé: são uns quinze minutos de calçada, com o rio atrás de si. Quem chega antes das nove ainda tem alguma hipótese de lugar na rua, mas não conte com isso.

Transportes

A estação de metro mais próxima é Santa Apolónia, na Linha Azul, e quem pesquisa como chegar ao Campo de Santa Clara de metro deve sair aí e seguir a subida a pé. A estação tem também comboios de longo curso. O elétrico 28 passa na zona da Graça, a poucos minutos a pé do Campo, e é a alternativa mais pitoresca, se não se importar com a fila.

Dicas Práticas

A subida desde Santa Apolónia é comprida, e a calçada de pedra escorrega com chuva. À segunda-feira o Panteão está fechado, por isso evite esse dia neste roteiro. Quem tem mobilidade reduzida deve ir de táxi até ao Campo: a parte difícil é a rua para lá chegar, não a praça. Leve dinheiro em notas pequenas para a feira. A entrada de São Vicente tem uma escadaria imponente.

💡 Dica de Ouro

Visite este emblemático largo nas manhãs de terça-feira ou sábado para explorar a famosa Feira da Ladra, o mercado de pulgas mais antigo da cidade, e aproveite para contemplar as vistas panorâmicas sobre o rio Tejo junto aos jardins circundantes.
🏛️ Ano de Construção: 1608
👤 Arquiteto: João Antunes
🎨 Estilo: Barroco / Arquitetura Tradicional Lisboeta
📜 Património: Sem classificação

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