
Chafariz de Dentro: O Largo e a entrada de Alfama
📌 Informações Práticas
Aberto 24 horas (espaço público)
Um largo que faz de hall de entrada a Alfama
Chamamos-lhe o hall de entrada das ruas de Alfama, e a imagem assenta bem ao Largo do Chafariz de Dentro: é aqui, junto ao rio e ainda no plano, que o bairro começa, antes de as ruas subirem e se enrolarem umas nas outras. Há esplanadas, bancas de venda de rua e, ao meio, o chafariz com os seus dois cavalos.

Fica no limite baixo do bairro.
Não é um largo de postal, daqueles que se fotografam de longe e se esquecem em cinco minutos. Mas tem movimento, e o movimento é o que fica. Os tuk-tuks chegam, largam gente, arrancam, voltam (há sempre um à espera de passageiro, mesmo que ninguém o tenha chamado) e o conjunto faz lembrar as antigas praças de táxis. A nós, esse vaivém estraga um pouco a paisagem.

Fomos de manhã cedo, convencidos de que apanhávamos o largo sossegado, e apanhámos o chafariz vazio. Os cavalos só deitam água a horas marcadas; quais são essas horas, não sabemos dizer-lhe. Se quer ver a água a correr, não chegue demasiado cedo.
Numa das paredes do largo há um painel de azulejos com o mapa das ruas de Alfama de antigamente.
Os cavalos de bronze e a história mais antiga do chafariz
A primeira referência conhecida a este chafariz vem do final do século XIII, o que o põe entre as fontes públicas mais antigas de Lisboa. Durante séculos chamaram-lhe Chafariz dos Cavalos, porque a água saía de cabeças de cavalo em bronze. Conta a tradição oral que foram os castelhanos a levá-las, num dos cercos a Lisboa no século XIV: ficaram com os cavalos e deixaram a sede aos moradores.

O nome vem da muralha. Quando a Cerca Fernandina foi construída, o chafariz ficou do lado de dentro dela, e o “de Dentro” colou-se-lhe.
Os cavalos que hoje se veem são do escultor Jorge Vieira, o autor do Homem-Sol do Parque das Nações. Chegaram nos anos 90, por encomenda da Câmara Municipal de Lisboa, quando o largo foi reabilitado e a antiga estação elevatória de águas de Alfama passou a museu.
Por baixo do largo, a muralha de D. Fernando
Em 2007, uma intervenção arqueológica no largo, associada a obras na rede de águas residuais, trouxe à luz estruturas ligadas à Cerca Fernandina e muita cerâmica dos séculos XVI e XVII. Não há ruínas visitáveis. O pavimento voltou a fechar-se e quem atravessa o largo pisa a muralha medieval sem dar por isso.

Os achados ajudam a perceber o peso desta zona ribeirinha quando Lisboa era capital de um império marítimo. O chafariz teve obras de melhoramento ainda no final do século XV, no reinado de D. João II, e continuou a servir a população nos séculos seguintes. Antes das canalizações, a água chegava às casas às costas dos aguadeiros, muitos deles galegos.
O Museu do Fado, mesmo ao lado dos cavalos
O museu ocupa a antiga Estação Elevatória de Águas de Alfama, no Largo do Chafariz de Dentro, n.º 1 (1100-139 Lisboa), e abriu em 1998. O bilhete normal custa 5 €, há descontos para jovens, seniores e pessoas com deficiência, e a entrada é grátis com o Lisboa Card. Abre de terça a domingo, das 10h às 18h, com última entrada às 17h30. À segunda-feira está fechado.

Compre o bilhete e leve o audioguia, que deixa ouvir dezenas de fados gravados ao longo das décadas. O percurso passa por guitarras portuguesas, trajes de fadistas e arquivo sonoro, e inclui a tela O Fado, de José Malhoa, de 1910. Reserve cerca de uma hora. À saída, uma pedra solta da calçada fez-nos tropeçar, sem consequências.
O museu não tem espetáculos ao vivo.
Chafariz d’El-Rei, a poucos passos pela Rua do Cais de Santarém
Da última vez que passámos por lá ficámos pela fachada: o interior não é de acesso livre. Entre os dois chafarizes, o nosso favorito é o de Dentro, que tem esplanadas à volta, os cavalos e o museu à porta, enquanto o d’El-Rei se aprecia em dois minutos.
Tem origens no século XIII e a água vinha de um aquífero sob a colina do Castelo de São Jorge. No final do século XV foi-lhe acrescentada uma conduta até ao Tejo, para abastecer as naus que partiam para os Descobrimentos.
Santo Estêvão, São Miguel e a Sé: o que subir a partir do largo
Alfama ganha altura logo atrás do largo, e é nas subidas que estão as igrejas e os miradouros. O nosso preferido é o de Santo Estêvão, junto à igreja do mesmo nome: uma varanda enorme sobre os telhados do bairro, com menos gente do que as Portas do Sol, onde a vista alarga para o Tejo, ou do que Santa Luzia, mesmo ao lado, com os seus painéis de azulejo.
Mais acima manda o Castelo de São Jorge, na colina de onde vem a água do chafariz. Entre os miradouros, a Igreja de São Miguel de Alfama tem um interior barroco carregado de dourados, e a Sé de Lisboa, a igreja mais antiga e importante da cidade, mostra uma fachada de ar fortificado, com duas torres e uma rosácea.
Suba devagar: a calçada é íngreme e, com chuva, escorrega. Vá a pé, porque o elétrico 28 enche-se logo nas Portas do Sol (e é de lá que sai a maior parte dos grupos).
O elétrico 28 passa mesmo junto à Sé.
Da Casa dos Bicos ao Campo de Santa Clara
No caminho para o Terreiro do Paço, na Rua dos Bacalhoeiros, a Casa dos Bicos reconhece-se de longe pela fachada de pedras em ponta de diamante, do início do século XVI. Hoje abriga a Fundação José Saramago.
Para o outro lado, rumo ao Campo de Santa Clara, sobe-se ao Mosteiro de São Vicente de Fora, panteão dos reis da dinastia de Bragança, e ao Panteão Nacional, a antiga Igreja de Santa Engrácia, com a cúpula branca que se vê de vários pontos da cidade.
A Feira da Ladra é à terça e sábado.
O Panteão Nacional funciona na antiga Igreja de Santa Engrácia.
Um dia inteiro a partir do largo
Chegue a pé por Santa Apolónia e comece pelo largo, com um café numa das esplanadas, antes de o vaivém dos tuk-tuks apertar. Quando o museu abrir, às 10h, entre e fique cerca de uma hora. Passe depois pelo Chafariz d’El-Rei e comece a subir para Santo Estêvão, onde vale a pena demorar-se, almoce por ali, e de tarde siga por São Miguel, Santa Luzia e Portas do Sol até à Sé. Desça pela Casa dos Bicos até ao Terreiro do Paço. Se tiver outro dia, guarde o Campo de Santa Clara.
Parámos diante do painel de azulejos e achámos que ajudava a perceber o bairro, ou talvez só nos tenha dado a ilusão de saber para onde ir, porque meia hora depois estávamos perdidos numa viela sem saída. Mesmo com mapa, imagino que as pessoas se perdiam, e continuam a perder-se.
Santa Apolónia fica a uns minutos a pé do largo.
Onde comer e custos médios
O Museu do Fado tem restaurante de cozinha tradicional portuguesa, e à volta do largo há esplanadas onde se come e bebe com vista para os cavalos e para o vaivém dos tuk-tuks. Em Alfama, a sardinha assada é o prato de que mais se fala, sobretudo no verão. Peça bacalhau, caldo verde e, para fechar, uma ginjinha. No sítio onde a água corre a horas marcadas, o vinho corre a qualquer hora.
O largo não custa nada, o museu custa 5 € e o almoço varia consoante o prato que escolher.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo devo reservar para o Chafariz de Dentro?
Meia hora chega para o largo e os cavalos. Com o museu e a subida a Santo Estêvão, conte com meia manhã.
Posso ir de carro até ao largo?
Depende de quem pergunta: um residente tem as suas autorizações. Para um visitante, a nossa resposta é deixar o carro fora de Alfama e fazer o último troço a pé ou de transportes. As ruas são estreitas e o estacionamento é muito limitado.
O caminho desde Santa Apolónia tem subidas?
O troço até ao largo faz-se quase todo no plano, junto ao rio. As subidas e os degraus começam depois, rumo aos miradouros.
É preciso pagar para ver o chafariz?
Não, está em plena rua.
Informações Práticas
Onde Estacionar
Não encontrámos lugar fácil. No largo e nas ruas à volta o estacionamento é muito limitado, as ruas são estreitas e os tuk-tuks e os peões disputam o mesmo espaço. Deixe o carro fora de Alfama e chegue a pé. O largo enche-se mais quando o museu abre e ao fim da tarde, quando chegam os grupos.
Transportes
O troço é plano. Desde a estação de Santa Apolónia, que tem comboios e metro (linha azul), vai-se a pé junto ao rio até ao largo. Vindo do Terreiro do Paço, o caminho é igualmente plano, em direção a Alfama. O elétrico 28 passa na zona alta, nas Portas do Sol e na Sé, e daí desce-se a pé até ao largo.
Dicas Práticas
Há degraus nas subidas. A calçada em redor do museu tem pedras soltas e, com chuva, escorrega; o largo é plano, mas o caminho para Santo Estêvão é íngreme. A única sombra de que nos lembramos são as esplanadas. Os tuk-tuks circulam sem aviso, por isso olhe antes de atravessar. O museu fecha à segunda-feira.









