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Reservatório Mãe D'Água: Tanque e Arcadas
Reservatório Mãe D’Água das Amoreiras: A jóia escondida de Lisboa

Reservatório Mãe D’Água das Amoreiras: A jóia escondida de Lisboa

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Praça das Amoreiras, 10, 1250-020 Lisboa
💶 Preço: baixo
⏰ Horário:

Terça a domingo, das 10:00 às 18:00

Como Chegar (Google Maps)

Pedra, boias e uma plataforma de madeira

Entrámos pela Praça das Amoreiras, 10, à espera de arte e demos de caras com pedra. Pedra nas paredes, pedra no chão, uma frescura que só se nota depois do sol de Lisboa, e nada de grandes pinturas ou esculturas a distrair o olhar. Aquilo é um reservatório de água, feito para guardar e distribuir, e a sobriedade avisa-nos disso logo à entrada.

Reservatório Mãe D'Água: Vista Exterior
Reservatório Mãe D’Água: Vista Exterior

No meio do tanque há uma plataforma de madeira com umas boias penduradas. Ficámos a olhar para elas um bom bocado, a perguntar-nos se alguém já ali terá caído por acidente (se o tanque estivesse cheio, as boias teriam finalmente razão de ser). Hoje a plataforma serve para quem assiste às exposições imersivas.

O tanque tem 7,5 metros de profundidade e uma capacidade de cerca de 5500 m³. Não parece assim tão fundo: do cimo da escadaria vê-se o chão sem esforço, e alguém teria de lá descer de vez em quando para o limpar. Monumento Nacional desde 1910.

Reservatório Mãe D'Água: Vista Superior
Reservatório Mãe D’Água: Vista Superior

A cascata por onde a água entrava no tanque foi construída com pedra das mesmas nascentes que alimentam o reservatório.

Se levantar os olhos, ainda se veem no teto as sirenes instaladas para avisar de ataques durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o que sei, nunca chegaram a tocar.

Quase noventa anos de obra, de Mardel a D. Maria II

O projeto é de 1746 e leva a assinatura de Carlos Mardel, arquiteto húngaro, que desenhou o reservatório para receber e distribuir a água trazida pelo Aqueduto das Águas Livres. As primeiras plantas eram bem mais ambiciosas: previam mais três arcos e levavam o edifício até à face norte do Largo do Rato. A versão final perdeu tanques e decoração exterior pelo caminho.

Com o reservatório pronto, o aqueduto deixou de acabar à porta da cidade e passou a distribuir. Dali a água seguia para a rede de chafarizes, para os conventos, as fábricas e as casas nobres, e foi essa rede que mudou o desenho dos espaços públicos de Lisboa.

Mardel morreu em 1763.

Reinaldo Manuel dos Santos retomou os trabalhos em 1771 e alterou alguns pontos do plano original, entre avanços e recuos que se arrastaram pelas décadas seguintes. Contas feitas, entre o projeto e a inauguração passaram quase noventa anos. O reservatório só foi inaugurado em 1834, pela rainha D. Maria II.

O arco e a Casa do Registo, do lado da Rua das Amoreiras

Na Rua das Amoreiras está o arco que Mardel desenhou entre 1746 e 1748 para marcar a entrada do aqueduto em Lisboa. Encostada à frente ocidental do reservatório fica a Casa do Registo (passámos-lhe ao lado à primeira, porque a entrada pela praça nos leva para outro lado).

Era ali que se decidia quem recebia água.

Foi por esta casa que passaram os caudais controlados para as galerias do Loreto e da Esperança, e dessas galerias para os chafarizes, as fábricas, os conventos e as casas nobres.

A escada estreita até ao terraço

A escadaria que leva ao terraço é bastante estreita, e quem passa de um metro e oitenta tem de ir atento às luzes de presença. Suba devagar, sobretudo se for alto.

Reservatório Mãe D'Água: Tunel
Reservatório Mãe D’Água: Tunel

Lá em cima o Tejo aparece sem grande esforço, e a estrutura da Lisnave, na outra margem, salta logo à vista. Não soubemos dizer que bairros eram os que víamos mais a leste — apontámos para telhados à sorte — e ficámos ainda uns minutos a tentar contar as boias lá de baixo, sem acordo sobre o resultado.

Reservatório Mãe D'Água: Terraço Panorâmico
Reservatório Mãe D’Água: Terraço Panorâmico

Entre os miradouros da zona, este é o nosso preferido para ver o rio. O de São Pedro de Alcântara é melhor para quem quer a Baixa e o Castelo de frente, mas aqui chegamos ao Tejo depois de percorrer o tanque, e esse trajeto faz parte da graça.

O terraço está incluído na visita livre, que custa 4 €. A visita guiada custa 6 €.

Exposições imersivas dentro do tanque

Quando a Immersivus Gallery ocupa o espaço, as paredes de pedra passam a ecrã: o conteúdo é projetado a 360º e o público assiste de pé à volta do tanque ou sentado na plataforma de madeira que vimos no meio. Já ali passaram experiências dedicadas a Frida Kahlo e a Salvador Dalí, e a programação vai mudando. Veja o que está em cartaz antes de ir, porque o bilhete e o horário da exposição são outros.

O nosso voto vai para o tanque sem projeções, de dia. Dá para ver a pedra, a escala e o sítio por onde a água entrava, e é isso que faz deste monumento aquilo que é. Se quer fotografar, o melhor ponto é o cimo da escadaria, de onde o tanque cabe inteiro no enquadramento.

O Museu da Água cede o espaço a eventos e produções. O contacto é mda.epal@adp.pt.

Da Mãe d’Água ao Príncipe Real, por baixo da cidade

A Galeria do Loreto tem quase três quilómetros e faz-se numa visita guiada que parte do reservatório das Amoreiras e termina no Reservatório da Patriarcal, escondido no subsolo do Jardim do Príncipe Real. Custa desde 6 €, e marca-se pelo 218 100 215, por mda.epal@adp.pt ou na Ticketline. Não é aconselhada a quem tem claustrofobia nem a menores de 6 anos. Ficou na nossa lista para a próxima vez.

Leve sapatos que possam molhar-se.

A Patriarcal, concluída em 1864, tem forma octogonal, igual à do lago que se vê à superfície, e a partir de 1890 passou a receber também a água do Aqueduto do Alviela.

O Aqueduto das Águas Livres, em Campolide

A entrada para o Aqueduto das Águas Livres fica na Calçada da Quintinha, 6, em Campolide, e a visita faz parte do mesmo Museu da Água que gere o reservatório. A obra começou em 1731, no reinado de D. João V, quando faltava água potável na cidade. O troço sobre o vale de Alcântara é aquele que as fotografias costumam mostrar, com arcos altíssimos.

O troço sobre Alcântara é o mais procurado.

Com o Lisboa Card, o bilhete tem 50% de desconto aqui e na Mãe d’Água.

Estrela, Prazeres e São Bento, a pé ou de táxi

A Basílica da Estrela fica a cerca de um quilómetro e meio da praça. Foi mandada erguer pela rainha D. Maria I e concluída no final do século XVIII. Reconhece-se de longe pela cúpula, e o Jardim da Estrela abre-se mesmo em frente, com os bancos e o coreto que quem passa nunca ignora. Lá dentro está o túmulo da própria rainha.

Reserve uma manhã para a zona. O Cemitério dos Prazeres, ali ao lado, tem mausoléus de família do tamanho de pequenas casas, alinhados como ruas. Mais para o centro, o Palácio de São Bento, hoje sede da Assembleia da República, foi um mosteiro beneditino.

Os Prazeres são do início do século XIX.

A Fundação Vieira da Silva, o jardim e o miradouro do centro comercial

Na Praça das Amoreiras funciona a Fundação Arpad Szenes–Vieira da Silva, instalada na antiga Real Fábrica das Sedas, com obra de Vieira da Silva e do marido. Mesmo ao lado fica o Jardim das Amoreiras (sombra boa para quem sai da pedra fria e dá com o sol da praça).

Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva
Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva

O Amoreiras 360º Panoramic View, no topo do centro comercial, é um dos miradouros artificiais mais altos da cidade. Vimos o Tejo do terraço da Mãe d’Água e ficámos por ali.

A Fundação fica no número 56.

Um dia nas Amoreiras, hora a hora

Comece às 10h, quando o reservatório abre, e deixe o tanque e o terraço para a primeira parte da manhã. Saia depois pela Rua das Amoreiras para ver o arco e a Casa do Registo, e atravesse para o Jardim das Amoreiras e a Fundação Vieira da Silva, que ficam a poucos passos. Almoce por ali.

Para a tarde, escolha uma de três coisas: o Aqueduto das Águas Livres, a Basílica da Estrela ou a Galeria do Loreto. As três juntas não cabem.

Fazendo as contas, 4 € do reservatório e 6 € da galeria dão 10 € por pessoa, antes do almoço.

Onde comer e quanto gastar

Junto ao reservatório, os restaurantes e cafés do Páteo Bagatela ficam a poucos minutos a pé. Em frente ao Amoreiras Shopping está o food court do Amoreiras Plaza, a opção para um almoço rápido entre o tanque e a tarde.

Quem prefere sentar-se com calma pode ir ao Jardim das Amoreiras com uma merenda de casa. Dê-se ao tempo: com a pedra fria do reservatório ainda no corpo, a sombra do jardim sabe bem.

Perguntas Frequentes

Há entrada gratuita no Reservatório da Mãe d’Água?

Sim, no primeiro domingo de cada mês. Em datas como o Dia Mundial da Água e o Dia Internacional dos Museus também costuma haver entrada livre. Nos restantes dias paga-se bilhete.

O reservatório é acessível a pessoas com mobilidade reduzida?

Ligue ao museu antes de ir e fale do terraço, que se alcança por escadaria. É a parte da visita que mais condiciona.

Quanto tempo demora a visita?

Uma hora chega, terraço incluído. Se apanhar uma exposição imersiva, a conta muda.

Posso tirar fotografias no interior?

Sim, sem problema.

Informações Práticas

Onde Estacionar

O parque do Amoreiras Residence, na Rua Seara Nova, 6A, é coberto e fica a cerca de cinco minutos a pé do reservatório. O parque não fecha. Mais perto do Páteo Bagatela há outro, na Travessa Légua da Povoa, 11 C, também coberto, com altura máxima de 2 metros e sem acesso 24 horas. O Amoreiras Shopping tem um parque com capacidade para 900 viaturas, a uns dez minutos a pé.

Transportes

O Metro Rato fica a poucos minutos a pé. Servem a zona os autocarros 706, 709, 711, 727, 738 e 758, o elétrico 24E e a linha vermelha dos autocarros turísticos. De carro, a Praça das Amoreiras fica perto da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco.

Dicas Práticas

A escadaria até ao terraço é estreita e as luzes de presença ficam baixas para quem passa de um metro e oitenta. A pedra mantém o interior fresco. Fotografar é permitido, e o melhor enquadramento do tanque está no cimo da escada. Para ligar a Galeria do Loreto, calce sapatos que possam molhar-se.

💡 Dica de Ouro

Subir ao terraço panorâmico no topo do edifício para desfrutar de uma vista deslumbrante sobre a cidade de Lisboa.
🏛️ Ano de Construção: 1748
👤 Arquiteto: Carlos Mardel
🎨 Estilo: Barroco / Neoclássico
📜 Património: Monumento Nacional

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