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Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Arquitetura
Palacete Ribeiro da Cunha (Embaixada): O ponto alto do Príncipe Real

Palacete Ribeiro da Cunha (Embaixada): O ponto alto do Príncipe Real

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Praça do Príncipe Real, 26, 1250-184 Lisboa
💶 Preço: gratuito
⏰ Horário:

Segunda a sábado: 12:00 – 20:00; Domingo: 11:00 – 19:00

Como Chegar (Google Maps)

A praça do número 26

O número 26 da Praça do Príncipe Real é uma fachada neomourisca de finais do século XIX, virada ao jardim, com uma porta larga que quem passa tem dificuldade em ignorar. Chega-se a subir pela Rua da Escola Politécnica e o palacete aparece quase de repente, já na praça.

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Fachada
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Fachada

Chama-se Embaixada, mas a única formalidade diplomática é empurrar a porta: não há bilhete, não há visto, ninguém pergunta nada.

Fizemos como quem não tem pressa. Banco do jardim, do lado de lá da praça, a olhar o palacete de frente (havia gente com cafés na mão e um cão deitado no caminho, a tapar a passagem) antes de lhe pôr os pés dentro. Daquela distância percebe-se melhor o desenho neomourisco do que encostado à parede. Faça o mesmo.

O jardim tem um lago octogonal ao centro, e é por baixo dele que fica o reservatório de que falamos mais à frente.

Escadaria, salas e um átrio cheio de luz

A escadaria é a primeira surpresa. Tem iluminação própria e arte nas paredes, e sobe-se devagar, porque há sempre algo a pedir um segundo olhar — nunca vi tanta gente a fotografar um corrimão. Nas antigas salas do palacete funcionam hoje lojas, quase todas de vestuário e marcas portuguesas: a Isto, de básicos masculinos e femininos, e a Fairly Normal, de peças pensadas para a vida ao ar livre, contam-se entre elas.

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Escadaria
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Escadaria

O pé-direito do átrio central deixa a luz chegar aos andares de cima e à zona de refeições, onde se almoça e se janta. É o nosso sítio preferido da casa: mesa no átrio ao almoço, com luz natural, e a escadaria a perder-se lá em cima.

As lojas fecham muito antes dos restaurantes.

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Espaços Comerciais
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Espaços Comerciais

Na cave corre um mural de azulejo com motivos dos Descobrimentos, entre dois restaurantes feitos para os mais carnívoros. Achei o mural lindíssimo — ou foi a luz amarelada a fazer-me ver tudo melhor do que era; só voltando lá num dia sem pressa para tirar teimas. Se tivermos de escolher, ficamos com o átrio ao almoço e deixamos a cave para o jantar de carne.

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Azulejos no piso 0
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Azulejos no piso 0

O segundo restaurante da cave não lhe sei o nome, ficou-me só o cheiro a brasa.

Do palacete à galeria: a história da casa

O Palacete Ribeiro da Cunha foi mandado construir por Ribeiro da Cunha, num revivalismo neoárabe de finais do século XIX a que se juntam pormenores de gosto Arte Nova. Só em 2013 abriu como espaço comercial e cultural: mais de uma dezena de lojas de marcas portuguesas, restaurantes e exposições temporárias nas salas (a Time Out noticiou, em janeiro de 2024, que o ano anterior tinha sido de afluência recorde, com 472 mil visitantes).

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Esplanada
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Esplanada

A promotora norte-americana EastBanc é dona do edifício há cerca de doze anos. Em 2024 falava-se de um hotel de 50 quartos e de uns 20 milhões de euros só em obras; em agosto de 2026, a notícia passou a dar o grupo francês Barrière como operador da Maison Barrière Príncipe Real, com abertura prevista para o final deste ano.

Quer ver a Embaixada como ela é? Não deixe para a próxima visita a Lisboa.

Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Arte
Palacete Ribeira da Cunha (Embaixada): Arte

O projeto abrange o logradouro, os jardins e as antigas cavalariças, onde se preveem novas construções.

Praça adentro: o reservatório e o Palacete Anjos

Debaixo do lago do jardim fica o Reservatório da Patriarcal, concluído em 1864 a partir de um projeto de 1856 do engenheiro francês Louis-Charles Mary para a rede de distribuição de água de Lisboa. A cisterna é octogonal, tal como o lago por cima. Recebeu primeiro água do Aqueduto das Águas Livres e, a partir de 1890, do Aqueduto do Alviela. Hoje integra o Museu da Água e desce-se por uma escada no jardim.

Da última vez que passei por ali, numa terça-feira, a porta estava fechada e fiquei a olhar para os degraus como quem chegou ao cinema depois da sessão. O reservatório abre ao fim de semana; vá nesses dias.

Mesmo ao lado da Embaixada, no número 22, está o Palacete Anjos, de 1875, que foi casa de muita gente antes de acolher uma agência do Banco de Portugal. Pertence à mesma EastBanc, que há uns vinte anos reabilita edifícios no bairro, e a recuperação tem assinatura de Eduardo Souto Moura. Escritórios e espaços comerciais são o destino anunciado.

Do miradouro de São Pedro de Alcântara às ruínas do Carmo

Cinco minutos a descer a Rua Dom Pedro V levam ao Jardim de São Pedro de Alcântara, o nosso miradouro favorito da zona: dali vê-se o Castelo de São Jorge de frente, com a Baixa a encher o meio da paisagem, e há bancos para quem quiser demorar. Preferimo-lo a outros miradouros da cidade só por isso, pela vista alta e aberta.

Mais abaixo, no Largo Trindade Coelho, fica a Igreja de São Roque, jesuíta, do século XVI. A fachada é sóbria e o interior é riquíssimo; a capela de São João Batista, a mais falada, foi feita em Roma e trazida para Lisboa. Reparei que quase ninguém falava lá dentro.

O Convento do Carmo mostra uma nave sem teto, destruída no terramoto de 1755, hoje museu arqueológico.

Jardim Botânico, História Natural e as Amoreiras

A poucos minutos da praça, na Rua da Escola Politécnica, estendem-se os mais de quatro hectares do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, com plantas de vários cantos do mundo. Ao lado, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência ocupa o mesmo troço da rua.

Mais a norte, a Mãe d’Água das Amoreiras é o reservatório setecentista onde acabava o Aqueduto das Águas Livres, um primo velho do da Patriarcal.

E a oeste, a Basílica da Estrela, que se reconhece à distância pela cúpula branca.

Um dia à volta da Embaixada

Comece de manhã pelo Jardim Botânico e pelo museu vizinho, que ficam na Rua da Escola Politécnica. Suba depois à praça para almoçar no átrio, que abre ao meio-dia; ao domingo, às 11h. A tarde é para as lojas, a escadaria, o jardim e, se for fim de semana, o reservatório.

Ao fim da tarde, desça ao miradouro de São Pedro de Alcântara. O jantar de carne, na cave, fecha o dia.

O dia custa pouco: entrar é gratuito e o grosso da despesa vai para o almoço e o jantar.

Onde comer

O átrio da Embaixada é a primeira escolha, e a cave com os dois restaurantes para carnívoros a segunda: mais escura, com o mural a ladear as mesas. A morada é Praça do Príncipe Real, 26, e o telefone 965 309 154. Os restaurantes servem até à meia-noite e, de quinta a sábado, até às duas da manhã.

A poucos passos fica o Entre Tanto, na Rua da Escola Politécnica, 42. E O Palmeiral, de cozinha ítalo-portuguesa, num local histórico do bairro, para quem quiser mudar de ambiente.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto tempo devo reservar para visitar a Embaixada?

Uma hora chega para a escadaria, as lojas e a cave. Mais do que isso só se for almoçar ou jantar.

Dá para ir com crianças à Embaixada?

Dá, mas as lojas são quase todas de roupa e os miúdos aborrecem-se depressa. O jardim em frente compensa: tem uma árvore de copa enorme, escorada em estacas, com gente sempre à sombra.

Como subir ao Príncipe Real sem fazer a ladeira a pé?

O Elevador da Glória, nos Restauradores, deixa-o junto ao Jardim de São Pedro de Alcântara. Daí são poucos minutos pela Rua Dom Pedro V até à praça. Mas lembre-se que por enquanto o Elevador da Glória encontra-se parado, sem data para voltar a funcionar.

É melhor ir de dia ou ao fim da tarde?

Fomos ao fim da tarde e gostámos: lojas ainda abertas e o átrio a mudar de luz, a meio caminho entre o almoço e o jantar.

Informações Práticas

Onde Estacionar

Estacionar na própria praça é aposta perdida: os lugares da EMEL à volta do jardim ocupam-se cedo e as ruas são estreitas. A nossa solução é deixar o carro num parque subterrâneo junto aos Restauradores e subir de elétrico ou a pé. Os fins de semana ao fim da tarde são os piores.

Transportes

De metro, saia no Rato (Linha Amarela) e suba a Rua da Escola Politécnica até à praça. O elétrico 24 sobe do Largo Luís de Camões até ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, e a praça fica a pé daí. Para quem vem do Chiado, a descida de volta faz-se bem a pé.

Dicas Práticas

A calçada em redor da praça fica escorregadia com chuva. A subida da Rua da Escola Politécnica é íngreme, por isso traga sapatos com sola de borracha. O jardim tem sombra em frente ao palacete. As lojas abrem ao meio-dia, e é nessa primeira hora que a escadaria está mais vazia.

💡 Dica de Ouro

Não deixe de apreciar a magnífica clarabóia central do pátio interior e explore as lojas de design, moda e artesanato português que ocupam as antigas salas nobres do palacete.
🏛️ Ano de Construção: 1877
👤 Arquiteto: Henrique Carlos Afonso
🎨 Estilo: Neoárabe
📜 Património: IIP (Interesse Público)

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