
Palacete Ribeiro da Cunha (Embaixada): O ponto alto do Príncipe Real
📌 Informações Práticas
Segunda a sábado: 12:00 – 20:00; Domingo: 11:00 – 19:00
A praça do número 26
O número 26 da Praça do Príncipe Real é uma fachada neomourisca de finais do século XIX, virada ao jardim, com uma porta larga que quem passa tem dificuldade em ignorar. Chega-se a subir pela Rua da Escola Politécnica e o palacete aparece quase de repente, já na praça.

Chama-se Embaixada, mas a única formalidade diplomática é empurrar a porta: não há bilhete, não há visto, ninguém pergunta nada.
Fizemos como quem não tem pressa. Banco do jardim, do lado de lá da praça, a olhar o palacete de frente (havia gente com cafés na mão e um cão deitado no caminho, a tapar a passagem) antes de lhe pôr os pés dentro. Daquela distância percebe-se melhor o desenho neomourisco do que encostado à parede. Faça o mesmo.
O jardim tem um lago octogonal ao centro, e é por baixo dele que fica o reservatório de que falamos mais à frente.
Escadaria, salas e um átrio cheio de luz
A escadaria é a primeira surpresa. Tem iluminação própria e arte nas paredes, e sobe-se devagar, porque há sempre algo a pedir um segundo olhar — nunca vi tanta gente a fotografar um corrimão. Nas antigas salas do palacete funcionam hoje lojas, quase todas de vestuário e marcas portuguesas: a Isto, de básicos masculinos e femininos, e a Fairly Normal, de peças pensadas para a vida ao ar livre, contam-se entre elas.

O pé-direito do átrio central deixa a luz chegar aos andares de cima e à zona de refeições, onde se almoça e se janta. É o nosso sítio preferido da casa: mesa no átrio ao almoço, com luz natural, e a escadaria a perder-se lá em cima.
As lojas fecham muito antes dos restaurantes.

Na cave corre um mural de azulejo com motivos dos Descobrimentos, entre dois restaurantes feitos para os mais carnívoros. Achei o mural lindíssimo — ou foi a luz amarelada a fazer-me ver tudo melhor do que era; só voltando lá num dia sem pressa para tirar teimas. Se tivermos de escolher, ficamos com o átrio ao almoço e deixamos a cave para o jantar de carne.

O segundo restaurante da cave não lhe sei o nome, ficou-me só o cheiro a brasa.
Do palacete à galeria: a história da casa
O Palacete Ribeiro da Cunha foi mandado construir por Ribeiro da Cunha, num revivalismo neoárabe de finais do século XIX a que se juntam pormenores de gosto Arte Nova. Só em 2013 abriu como espaço comercial e cultural: mais de uma dezena de lojas de marcas portuguesas, restaurantes e exposições temporárias nas salas (a Time Out noticiou, em janeiro de 2024, que o ano anterior tinha sido de afluência recorde, com 472 mil visitantes).

A promotora norte-americana EastBanc é dona do edifício há cerca de doze anos. Em 2024 falava-se de um hotel de 50 quartos e de uns 20 milhões de euros só em obras; em agosto de 2026, a notícia passou a dar o grupo francês Barrière como operador da Maison Barrière Príncipe Real, com abertura prevista para o final deste ano.
Quer ver a Embaixada como ela é? Não deixe para a próxima visita a Lisboa.

O projeto abrange o logradouro, os jardins e as antigas cavalariças, onde se preveem novas construções.
Praça adentro: o reservatório e o Palacete Anjos
Debaixo do lago do jardim fica o Reservatório da Patriarcal, concluído em 1864 a partir de um projeto de 1856 do engenheiro francês Louis-Charles Mary para a rede de distribuição de água de Lisboa. A cisterna é octogonal, tal como o lago por cima. Recebeu primeiro água do Aqueduto das Águas Livres e, a partir de 1890, do Aqueduto do Alviela. Hoje integra o Museu da Água e desce-se por uma escada no jardim.
Da última vez que passei por ali, numa terça-feira, a porta estava fechada e fiquei a olhar para os degraus como quem chegou ao cinema depois da sessão. O reservatório abre ao fim de semana; vá nesses dias.
Mesmo ao lado da Embaixada, no número 22, está o Palacete Anjos, de 1875, que foi casa de muita gente antes de acolher uma agência do Banco de Portugal. Pertence à mesma EastBanc, que há uns vinte anos reabilita edifícios no bairro, e a recuperação tem assinatura de Eduardo Souto Moura. Escritórios e espaços comerciais são o destino anunciado.
Do miradouro de São Pedro de Alcântara às ruínas do Carmo
Cinco minutos a descer a Rua Dom Pedro V levam ao Jardim de São Pedro de Alcântara, o nosso miradouro favorito da zona: dali vê-se o Castelo de São Jorge de frente, com a Baixa a encher o meio da paisagem, e há bancos para quem quiser demorar. Preferimo-lo a outros miradouros da cidade só por isso, pela vista alta e aberta.
Mais abaixo, no Largo Trindade Coelho, fica a Igreja de São Roque, jesuíta, do século XVI. A fachada é sóbria e o interior é riquíssimo; a capela de São João Batista, a mais falada, foi feita em Roma e trazida para Lisboa. Reparei que quase ninguém falava lá dentro.
O Convento do Carmo mostra uma nave sem teto, destruída no terramoto de 1755, hoje museu arqueológico.
Jardim Botânico, História Natural e as Amoreiras
A poucos minutos da praça, na Rua da Escola Politécnica, estendem-se os mais de quatro hectares do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, com plantas de vários cantos do mundo. Ao lado, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência ocupa o mesmo troço da rua.
Mais a norte, a Mãe d’Água das Amoreiras é o reservatório setecentista onde acabava o Aqueduto das Águas Livres, um primo velho do da Patriarcal.
E a oeste, a Basílica da Estrela, que se reconhece à distância pela cúpula branca.
Um dia à volta da Embaixada
Comece de manhã pelo Jardim Botânico e pelo museu vizinho, que ficam na Rua da Escola Politécnica. Suba depois à praça para almoçar no átrio, que abre ao meio-dia; ao domingo, às 11h. A tarde é para as lojas, a escadaria, o jardim e, se for fim de semana, o reservatório.
Ao fim da tarde, desça ao miradouro de São Pedro de Alcântara. O jantar de carne, na cave, fecha o dia.
O dia custa pouco: entrar é gratuito e o grosso da despesa vai para o almoço e o jantar.
Onde comer
O átrio da Embaixada é a primeira escolha, e a cave com os dois restaurantes para carnívoros a segunda: mais escura, com o mural a ladear as mesas. A morada é Praça do Príncipe Real, 26, e o telefone 965 309 154. Os restaurantes servem até à meia-noite e, de quinta a sábado, até às duas da manhã.
A poucos passos fica o Entre Tanto, na Rua da Escola Politécnica, 42. E O Palmeiral, de cozinha ítalo-portuguesa, num local histórico do bairro, para quem quiser mudar de ambiente.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo devo reservar para visitar a Embaixada?
Uma hora chega para a escadaria, as lojas e a cave. Mais do que isso só se for almoçar ou jantar.
Dá para ir com crianças à Embaixada?
Dá, mas as lojas são quase todas de roupa e os miúdos aborrecem-se depressa. O jardim em frente compensa: tem uma árvore de copa enorme, escorada em estacas, com gente sempre à sombra.
Como subir ao Príncipe Real sem fazer a ladeira a pé?
O Elevador da Glória, nos Restauradores, deixa-o junto ao Jardim de São Pedro de Alcântara. Daí são poucos minutos pela Rua Dom Pedro V até à praça. Mas lembre-se que por enquanto o Elevador da Glória encontra-se parado, sem data para voltar a funcionar.
É melhor ir de dia ou ao fim da tarde?
Fomos ao fim da tarde e gostámos: lojas ainda abertas e o átrio a mudar de luz, a meio caminho entre o almoço e o jantar.
Informações Práticas
Onde Estacionar
Estacionar na própria praça é aposta perdida: os lugares da EMEL à volta do jardim ocupam-se cedo e as ruas são estreitas. A nossa solução é deixar o carro num parque subterrâneo junto aos Restauradores e subir de elétrico ou a pé. Os fins de semana ao fim da tarde são os piores.
Transportes
De metro, saia no Rato (Linha Amarela) e suba a Rua da Escola Politécnica até à praça. O elétrico 24 sobe do Largo Luís de Camões até ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, e a praça fica a pé daí. Para quem vem do Chiado, a descida de volta faz-se bem a pé.
Dicas Práticas
A calçada em redor da praça fica escorregadia com chuva. A subida da Rua da Escola Politécnica é íngreme, por isso traga sapatos com sola de borracha. O jardim tem sombra em frente ao palacete. As lojas abrem ao meio-dia, e é nessa primeira hora que a escadaria está mais vazia.









