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Jardim Botânico de Lisboa: Panorama
Jardim Botânico de Lisboa

Jardim Botânico de Lisboa

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Rua da Escola Politécnica, 58, 1250-102 Lisboa
💶 Preço: baixo
⏰ Horário:

Todos os dias, das 10:00 às 17:00 (Inverno) / das 10:00 às 20:00 (Verão)

Como Chegar (Google Maps)

Um domingo de manhã no Jardim Botânico de Lisboa

Fomos num domingo de manhã, em outubro, e acertámos por sorte: entre as 10h e as 13h a entrada no jardim é gratuita, e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência, mesmo ao lado, também não cobra bilhete. Fora dessa janela, os bilhetes do Jardim Botânico de Lisboa rondam os 5 euros. Quem procura o horário encontra duas versões, 9h às 20h no verão e 10h às 17h no inverno, e nós chegámos cedo, antes de o calor apertar.

Rua da Escola Politécnica: Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica: Jardim Botânico

A entrada fica na Rua da Escola Politécnica, número 58, a dois passos do Largo do Rato. O portão do museu está no 56.

Em outubro, as flores escasseavam. Há palmeiras, cicadáceas e uma mistura de espécies vindas de vários continentes, mas o chão não estava coberto de cor. Voltaremos na primavera, essa ficou prometida logo à saída. Aproveite o domingo de manhã se puder: quem vai à hora errada paga, quem vai à hora certa ainda apanha o museu de borla.

O monte dos jesuítas e o monumento nacional

O terreno chama-se Monte Olivete, e já antes de haver jardim havia plantas. O colégio jesuíta da Cotovia, criado por volta de 1609, cultivava ali as suas espécies de estudo. O Jardim Botânico propriamente dito nasce em meados do século XIX, ligado às aulas de botânica da Escola Politécnica de Lisboa, e a partir de 1873 começam a chegar plantas de territórios então sob soberania portuguesa. Daí as cicadáceas e as palmeiras que dão ao conjunto um ar de trópico no meio do Príncipe Real.

Foi desenhado para estudar, e só depois para passear. Em 4 de novembro de 2010 recebeu a classificação de monumento nacional.

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência e o Observatório Astronómico

O museu ocupa o edifício da antiga Escola Politécnica, no número 56 da mesma rua, colado ao jardim. Ao domingo de manhã a entrada é gratuita, tal como a do jardim, e juntar as duas visitas faz todo o sentido. O museu fica ao lado: uma entrada para a ciência, outra para as árvores.

Já dentro do jardim, dando a volta por onde entrámos, vê-se o antigo Observatório Astronómico, do século XIX. A fachada está bem tratada e pintada, com cores vivas. Mesmo à frente, a poucos metros, havia uma cadeira coberta de pó, deixada ali (pelo aspeto, há várias décadas) junto a uma estrutura que já viu melhores dias. O contraste entre o edifício cuidado e aquele canto abandonado foi o que mais nos ficou na memória da zona do Observatório.

Jardim Botânico de Lisboa: Observatório Astronómico
Jardim Botânico de Lisboa: Observatório Astronómico

Dê tempo a este lado do jardim.

Lagos, socalcos e uma cascata sem água

Os lagos têm patos, e a ponte que os atravessa aguenta bem quem passa: ousámos pisá-la sem medo de que cedesse (achámo-la mais frágil de longe do que de perto, ou se calhar era só o nosso receio de turistas). A água parada, a folhagem à volta e os patos a nadar em círculos fazem desta zona a mais calma do percurso.

Jardim Botânico de Lisboa: Queda de Água
Jardim Botânico de Lisboa: Queda de Água

A queda de água que atravessa quase todo o jardim, de socalco em socalco, estava seca. Em outubro os dias ainda estavam quentes e a água tem de ser poupada para outros usos, por isso o leito de pedra apareceu à vista, sem um fio de líquido. Não vimos a cascata a funcionar, mas imagina-se bem a queda de água a descer pelos vários patamares.

Se a cascata é o motivo da sua visita, escolha outra altura do ano.

Jules Daveau, Bernardino António Gomes e as escadarias

Uma placa no jardim destaca Jules Daveau, o botânico francês que trabalhou ali no final do século XIX. É fácil passar-lhe ao lado, de tão discreta que é.

A escadaria que sobe junto ao busto de Bernardino António Gomes guarda um pequeno pormenor que deixamos para si descobrir, sem estragar a surpresa. Quanto ao resto, poupe as pernas: lá em cima, o portão estava fechado e não deu para passar. Os degraus são muitos, e quem sobe fica a ver o portão fechado de perto.

Jardim Botânico de Lisboa: Escadaria com Busto de Bernardino Gomes
Jardim Botânico de Lisboa: Escadaria com Busto de Bernardino Gomes

Um de nós quase tropeçou numa raiz à saída da escadaria, sem consequências, e o resto do passeio fez-se com mais atenção ao chão.

O jardim das Monocotiledóneas e as palmeiras

O jardim das Monocotiledóneas dá para uma “apanhada” ou para um jogo de esconde-esconde: as folhas largas e os troncos finos fecham o campo de visão a poucos metros. Há palmeiras de várias origens e cicadáceas, plantas com um ar pré-histórico que seguram o tom tropical do jardim, e é por entre elas que se perde (e se encontra) quem lá anda a brincar.

Jardim Botânico de Lisboa: Jardim das Monocotiledóneas
Jardim Botânico de Lisboa: Jardim das Monocotiledóneas

Numa visita de outubro, quase não havia flores. Ficou a folhagem, que por si só já enche o olho, e a certeza de que em plena primavera a cena muda de figura. Quem gosta de plantas deve andar devagar e ler as placas de identificação, que são muitas.

Pelo jardim há espécies de todos os continentes.

O jardim francês atrás do Observatório

Por trás do Observatório está um jardim de estilo francês, com canteiros simétricos e um pequeno lago ao centro. Ali, os patos aproveitam as primeiras horas de sol, e foi essa a imagem de que mais gostámos em toda a manhã. É o nosso canto preferido do jardim, à frente do lago principal, porque junta o sol baixo, a água calma e a simetria de buxo e pedra, e dá uma pausa agradável depois das subidas.

Jardim Botânico de Lisboa: Jardim Francês
Jardim Botânico de Lisboa: Jardim Francês

Ao lado do lago grande, mais frequentado, este recanto é mais pequeno e mais sossegado. Se tiver de escolher um sítio para parar, escolha este.

Um dia à volta do jardim: o que ver a menos de 5 km

Se quer fazer um roteiro de um dia, use o jardim para a manhã. Depois, desça poucos minutos a pé até ao Jardim do Príncipe Real, onde um cedro centenário abre uma copa enorme, e visite por baixo o Reservatório da Patriarcal, uma cisterna do século XIX que se pode percorrer. O miradouro de São Pedro de Alcântara, a uns minutos dali, mostra a Baixa e o Castelo.

À tarde, siga para a Basílica da Estrela, de finais do século XVIII, com a sua cúpula visível de longe, e pelo Jardim da Estrela, que tem lago e patos. A Igreja de São Roque, com a fachada sóbria e o interior carregado de capelas, e os arcos góticos do Convento do Carmo, que ficou sem teto desde o terramoto de 1755, completam o dia sem esforço. Entre todos, o nosso favorito é o miradouro de São Pedro de Alcântara, por ser o único com vista aberta sobre a cidade e por ficar quase à porta do jardim.

Onde comer e custos médios

Para uma refeição de marisco e cerveja numa sala antiga, a Cervejaria da Trindade (Rua Nova da Trindade, 20C) é o clássico de Lisboa e está a poucos minutos de transporte do jardim. Peça as amêijoas ou o marisco do dia. Para algo mais descontraído, a galeria Embaixada (Praça do Príncipe Real, 26) reúne vários espaços de comer e beber no mesmo edifício, e a poucos metros do jardim.

Nas pastelarias do Príncipe Real e do Rato, um pastel de nata com galão fecha bem a manhã e custa pouco. Quem quiser levar merenda pode comer num dos bancos do Jardim do Príncipe Real, sob o cedro. O bilhete do jardim, cerca de 5 euros fora do domingo de manhã, é o seu maior gasto fixo do dia.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto tempo devo reservar para o Jardim Botânico de Lisboa?

Entre uma hora e meia e duas horas, a andar com calma. Se juntar o museu, conte com a manhã toda.

Vale a pena visitar o jardim fora da primavera?

Vale, porque as palmeiras, os lagos e a folhagem funcionam em qualquer estação. O que muda é a floração e a cascata com água, que dependem da época. Nós fomos em outubro e saímos bem impressionados na mesma.

O Jardim Botânico de Lisboa é acessível a quem tem mobilidade reduzida?

O terreno é uma encosta em socalcos, com degraus, escadarias e troços de piso irregular. Cadeiras de rodas e carrinhos de bebé encontram dificuldades em várias passagens, e há zonas que ficam simplesmente de fora.

Qual a diferença entre o Jardim Botânico de Lisboa, o Tropical e o da Ajuda?

O de Lisboa fica no Príncipe Real e nasceu para as aulas da Escola Politécnica. O Tropical, em Belém, concentra flora tropical. O da Ajuda é o mais antigo dos três, do século XVIII, e fica noutra zona da cidade.

Informações Práticas

Onde Estacionar

Vá de transporte público sempre que puder. Nas ruas em redor do Príncipe Real e do Rato há estacionamento de rua gerido pela EMEL, pago nos dias úteis, e os lugares são poucos. Ao domingo de manhã, quando a entrada no jardim é gratuita, a zona enche mais depressa, por isso chegue cedo. Nos dias úteis, a pressão sobre os lugares é grande à hora de almoço.

Transportes

O metro é a opção mais simples: estação do Rato, linha Amarela, a poucos minutos a pé da entrada no número 58 da Rua da Escola Politécnica. O autocarro 758 também serve a zona. Quem vem da Baixa pode subir pelo Elevador da Glória até ao miradouro de São Pedro de Alcântara e seguir a pé pelo Príncipe Real.

Dicas Práticas

Os socalcos têm degraus em várias passagens e alguns troços são de terra, que escorrega depois da chuva. A escadaria do busto de Bernardino António Gomes leva a um portão que encontrámos fechado, por isso não conte com saída por ali. A cascata estava seca em outubro, e as flores também escasseavam.

💡 Dica de Ouro

Aproveite a visita para explorar a impressionante coleção de cycads centenárias e passear pela zona arborizada com vista para a cidade.
🏛️ Ano de Construção: 1878
👤 Arquiteto: Edmond Goüeslard e Andrade Corvo
🎨 Estilo: Romântico / Paisagista
📜 Património: Monumento Nacional

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