Abre num novo separador
Aqueduto das Águas Livres: Vista para Rio Tejo
Aqueduto das Águas Livres: A maior estrutura de Lisboa que sobreviveu ao terramoto

Aqueduto das Águas Livres: A maior estrutura de Lisboa que sobreviveu ao terramoto

📌 Informações Práticas

📍 Morada: Calçada da Quintinha 6, 1070-225 Lisboa
💶 Preço: baixo
⏰ Horário:

Terça a domingo, das 10:00 às 18:00

Como Chegar (Google Maps)

Os 941 metros que atravessam o vale de Alcântara

Vista da estrada que passa entre os pilares (o trânsito corre sem parar e os carros parecem de brinquedo), a travessia parece maior do que os 941 metros anunciados. Em cima, os arcos chegam aos 65 metros de altura. A pedra é calcária, clara, e apanha o sol de lado logo pela manhã, hora que recomendamos a quem gosta de fotografar sem a luz a aplanar tudo.

Aqueduto das Águas Livres: Muro
Aqueduto das Águas Livres: Muro

A entrada fica em Campolide, na Calçada da Quintinha, 6 (1070-225 Lisboa), e o percurso visitável liga o jardim ao Parque Florestal de Monsanto. Monumento Nacional desde 1910. O Turismo de Lisboa dá abertura das 10h00 às 17h30. Segundas e feriados, fechado. Se aparecer numa segunda, vai dar com o portão fechado. O telefone do Museu da Água, que gere o espaço, é o 218 100 215.

Aqueduto das Águas Livres: Pórtico
Aqueduto das Águas Livres: Pórtico

Os painéis do jardim e o que se paga para entrar

Antes de pisar o aqueduto, demorámo-nos no jardim da entrada, muito bem tratado, porque os painéis de informação espalhados pelo relvado prendem qualquer pessoa: fotografias antigas, mapas do traçado, textos sobre as obras. Os painéis estão no relvado, à vista de quem chega. Foi ali que ficámos a saber que o sistema tinha 58 quilómetros de canalizações, das nascentes de Caneças, a cerca de 15 km a noroeste, até aos chafarizes da cidade.

Achei o jardim mais bonito do que o próprio aqueduto. Ou então era só o verde a ganhar ao calor que já apertava.

Aqueduto das Águas Livres: Jardim
Aqueduto das Águas Livres: Jardim

Quanto a preços, o Museu da Água organiza visitas guiadas com um técnico especializado, com ponto de encontro no n.º 6 da Calçada da Quintinha. Numa edição anunciada pela Time Out, o bilhete custava 25 €. Existe também a visita mais longa “Aqueduto de Lisboa”, com inscrição obrigatória e bilhetes na Ticketline. A entrada é livre em 22 de março, 18 de maio e 1 de outubro, segundo a ficha do museu.

Quase setenta anos de obras e um terramoto pelo meio

Começou no reinado de D. João V e só ficou concluído em 1799, o que dá quase setenta anos de estaleiro. O dinheiro veio de um imposto sobre o consumo de carne, azeite e vinho, que os lisboetas pagaram durante décadas para ter água a correr nos chafarizes.

Os nomes que se repetem nas obras são os de Manuel da Maia, Custódio Vieira e Carlos Mardel. O arquiteto italiano António Canevari foi afastado das obras logo nos primeiros anos.

O terramoto de 1755 deixou o aqueduto de pé. Foi uma das poucas estruturas de Lisboa a sobreviver, e andar em cima dela, sabendo isso, dá uma sensação difícil de pôr em palavras. Ao canal principal juntaram-se ramais subsidiários, que iam buscar água a outras nascentes e a distribuíam pelos bairros e chafarizes.

O arco ogival maior e o degrau que quase me fez cair

O arco maior é ogival, de pedra, e é por cima dele que passa o caminho de travessia do vale. Ao voltar pelo mesmo caminho, tropecei por pouco num degrau. O degrau fica sobre o arco maior. Conta a tradição que dali se despenharam muitas pessoas ao longo dos anos, e olhar para baixo a pensar nisso tira a vontade de fazer figuras.

Aqueduto das Águas Livres: Placa do Arco Grande
Aqueduto das Águas Livres: Placa do Arco Grande

Por aqui andou também Diogo Alves, um dos serial killers mais conhecidos de Lisboa, enforcado em 1841. A tradição oral diz que atirava as vítimas lá de cima depois de as roubar.

As levadas secas e a garrafa que acabou a meio

O sol estava quente e a pouca água que levámos do jardim já não existia a meio do aqueduto. A nossa, claro, porque a do aqueduto acabou há muito. Não há sombra a meio da travessia. Há muito céu.

Por falar em água que não existe, passa-se mesmo no meio das antigas levadas, os canais por onde ela corria. Hoje estão secas e servem de sala de exposição, com números e factos sobre o aqueduto. Um dos painéis tinha o canto descolado, preso com fita, e passei dois minutos a olhar para isso em vez de ler o texto. Os números estão ao longo das paredes, à altura dos olhos.

Aqueduto das Águas Livres: Tunel Interior
Aqueduto das Águas Livres: Tunel Interior

O Bairro da Liberdade, onde a travessia acaba

Ao chegar ao fim encontra-se um bairro que parece ter nascido ao pôr do sol, o Bairro da Liberdade, do lado de Monsanto. Deu-nos vontade de ficar mais um bocado, sentados a ver quem passava. Não sei se é sempre tão sossegado, mas na manhã em que lá estivemos ninguém tinha pressa.

Aqueduto das Águas Livres: Vista para o Monsanto
Aqueduto das Águas Livres: Vista para o Monsanto

Pare ali um momento e olhe para trás. O aqueduto visto deste lado ocupa o vale inteiro.

A Mãe d’Água das Amoreiras e o arco que atravessa a rua

A outra ponta do sistema fica na Mãe d’Água das Amoreiras, o reservatório final do aqueduto, onde chegava a água vinda de Caneças. Na Rua das Amoreiras há o Recinto do Arco, com o Reservatório do Arco, um dos três reservatórios construídos no século XIX para levar água às casas. O arco n.º 100 cruza a rua. A visita guiada “Aqueduto de Lisboa” passa por dentro dele.

Aqueduto das Águas Livres: Vista para Rio Tejo
Aqueduto das Águas Livres: Vista para Rio Tejo

Os últimos dez arcos ladeiam o jardim das Amoreiras, e a mesma visita atravessa-os antes de entrar na Mãe d’Água. Não fiquei a saber porque o arco da rua leva o número 100 e não outro, e ninguém por perto me soube dizer.

Galeria do Loreto, Reservatório da Patriarcal e o miradouro que escolhemos

A mesma visita segue pela galeria subterrânea do Loreto, passa pelo Reservatório da Patriarcal, que fica debaixo do lago do Príncipe Real, e acaba no Miradouro de São Pedro de Alcântara. O miradouro fecha o percurso. É a única parte do trajeto onde se sai da pedra e se volta à cidade com o castelo à frente.

Entre os miradouros e terraços do trajeto, o nosso favorito é o de São Pedro de Alcântara. Tem a Baixa e o castelo de frente, e as galerias que lá levam fazem da chegada uma recompensa. O topo do próprio aqueduto continua a ser o sítio que mais gostámos de pisar, mas para ver Lisboa de uma só vez escolha o miradouro. O terraço da Mãe d’Água fica em segundo lugar.

O que ver a menos de cinco quilómetros

Em Monsanto, o Parque Florestal começa logo a seguir ao Bairro da Liberdade e tem o Panorâmico, uma estrutura de betão com miradouro no topo, ponto de vista sobre a cidade.

Seguindo para o centro, a Basílica da Estrela, do final do século XVIII, tem uma cúpula grande que se vê de longe, e o jardim em frente serve de pausa. A Fundação Calouste Gulbenkian, com museu e jardim, fica a poucos minutos de carro de Campolide. Belém fica no limite dos cinco quilómetros, com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém.

Do lado de Alcântara, a Ponte 25 de Abril é a vizinha de sempre, com os arcos de pedra do aqueduto lá em cima, por cima do trânsito.

Onde comer

Perto do aqueduto, a nossa escolha é o Mercado de Campo de Ourique, onde se pode comer de pé ou sentado e escolher entre várias bancas sem adivinhar. O mercado fica em Campo de Ourique. Para uma bifana ou um pastel de nata, vá à Rua de Belém, onde estão os Pastéis de Belém, no número 84 a 92, e onde a fila anda mais depressa do que parece.

Perguntas Frequentes

É preciso marcar para visitar o Aqueduto das Águas Livres?

Para as visitas guiadas, sim, com inscrição prévia. Para percorrer o troço aberto por conta própria, basta aparecer dentro do horário.

Quanto tempo leva a visita?

Para nós foi uma manhã inteira, e os painéis do jardim têm grande parte da culpa.

Quem tem vertigens consegue fazer a travessia?

Vai sentir o vazio por baixo. Quem tem muito receio pode experimentar antes a visita virtual em 360º que o Museu da Água disponibilizou online, onde se vê o arco maior.

O aqueduto ainda leva água a Lisboa?

Esteve desativado durante décadas por falta de caudal nas nascentes. A EPAL anunciou que ia reativar o circuito, mas quando lá fomos não vimos água a correr.

Informações Práticas

Onde Estacionar

Não há parque próprio junto à entrada da Calçada da Quintinha, pelo menos que tenhamos visto. As ruas de Campolide à volta têm declive e pouco espaço. Deixe o carro em casa e chegue de transportes. Do lado das Amoreiras, o acesso à Mãe d’Água faz-se pela Praça das Amoreiras, também sem parque dedicado que tenhamos reparado.

Transportes

Os autocarros são o 742, 751 e 758. A estação de Campolide, da linha de Sintra, fica a pé da Calçada da Quintinha. Para o fim do percurso, o Miradouro de São Pedro de Alcântara fica no Bairro Alto, de onde se regressa por transporte público ou a pé.

Dicas Práticas

A água acaba a meio. Leve mais do que a que bebeu no jardim, porque na travessia não há sombra nem fonte. Atenção ao degrau sobre o arco maior, onde quase tropeçámos ao regressar. Vá de manhã, quando a luz bate de lado nos arcos e o sol ainda não apertou.

💡 Dica de Ouro

Atravessar a grandiosa arqueação sobre o Vale de Alcântara para apreciar a imponência da estrutura e as vistas panorâmicas sobre a cidade.
🏛️ Ano de Construção: 1748
👤 Arquiteto: Manuel da Maia, Custódio Vieira e Carlos Mardel
🎨 Estilo: Barroco / Rococó
📜 Património: Monumento Nacional

Vê também