
Rua do Salitre
📌 Informações Práticas
Acesso livre 24 horas por dia (comércio e edifícios integrados com horários próprios)
A rua que desce do Largo do Rato até à Avenida da Liberdade
A Rua do Salitre liga o Largo do Rato à Avenida da Liberdade, e quase todos os palacetes que a ladeiam datam da segunda metade do século XIX, quando as famílias com dinheiro foram subindo da Baixa para esta encosta.
Fomos numa tarde de semana, com a luz já baixa. Reparámos primeiro no passeio — estreito, feito para carruagens e não para duas pessoas lado a lado — e só depois nas fachadas, umas pintadas de fresco, outras a descascar.

Comece pelo Rato. A descida é suave e poupa-lhe as pernas.
Perto da Avenida o trânsito sobe de volume e a rua deixa de ser sossegada.
Palacete dos Condes do Alto Mearim, o primeiro que se vê
Quando descemos a rua, o primeiro edifício que nos prende o olhar é o Palacete dos Condes do Alto Mearim, hoje sede da Fundação Oriente. É o nosso favorito do percurso — não por ser o mais bonito de todos, mas porque a rua parece organizar-se à volta dele.
Fica no número 66.
A fundação tem aqui a sede, mas a coleção que lhe deu nome está noutro sítio, no Museu do Oriente, junto à Doca de Alcântara Norte (a ideia de que o palacete é o museu engana muita gente, e já ouvimos o equívoco mais de uma vez à porta).
Se só tiver tempo para parar num edifício, pare neste e olhe com calma para a entrada.
Alves Machado e Falcarreira: dois estados de conservação
Mais abaixo, o Palacete Alves Machado não parece estar em grandes condições. Pareceu-nos degradado — ou então era só a luz do fim de tarde a cansar-lhe a fachada. Fica o aviso para quem vem à procura de restauros impecáveis: aqui há marcas de tempo à vista.

O Palacete Falcarreira, no número 136, é do mesmo período e já passou pelas obras. Foi reconvertido no Salitre 136, um empreendimento com oito apartamentos T2 e T3, de 150 a 290 metros quadrados brutos, com conclusão anunciada para 2021. É o exemplo mais claro, na rua, de como um palacete antigo se transforma em condomínio de luxo, e quem procura imobiliário de luxo na Rua do Salitre acaba por dar com ele.

Entre uns e outros há prédios mais recentes que mostram como o casario do centro de Lisboa foi sendo modernizado, remendo a remendo.
Mayer, Instituto Italiano e Jean Monnet
O Palácio Mayer vê-se da rua e pouco mais — fachada ao passeio, portão fechado quando passámos, sem nada que nos convidasse a demorar.
O Instituto Italiano de Cultura tem morada na Rua do Salitre e funciona como a montra cultural de Itália em Lisboa, com cursos de língua e programação de eventos. Fica instalado num palacete, e é um dos poucos da rua onde há razões regulares para entrar.

Do Centro Europeu Jean Monnet retivemos o nome, que homenageia um dos pais da integração europeia, e o facto de ser mais um edifício institucional encaixado entre os palacetes.

O Teatro do Salitre, que já não está lá
Houve um teatro com o nome da rua. O Teatro do Salitre abriu em 1782, tinha capacidade para 900 pessoas e foi um dos primeiros de Lisboa. Foi demolido em 1879.
Em meados do século XIX, o Salitre e o da Rua dos Condes disputavam o subsídio oficial para o teatro nacional, com cartas de Alexandre Herculano ao Garrett pelo meio. Passámos a procurar vestígios, em vão — a rua não guarda lápide nem placa que o lembre.
Porquê Salitre
Salitre é nitrato de potássio, ingrediente da pólvora, e o nome da rua é bem anterior aos palacetes. Antes de ser rua de palácios era a estrada do Salitre, que atravessava o vale na diagonal e se ligava à zona da Rua das Portas de Santo Antão, hoje Rua Eugénio dos Santos.
Hoje a rua só rebenta de gente ao fim da tarde, que é a única pólvora que lhe resta.
O que ver a 5 km da rua
A pé, a subir, está o Jardim Botânico da Rua da Escola Politécnica. Na direção oposta, a Avenida da Liberdade, aberta nos anos de 1880, e a Cinemateca, na Rua Barata Salgueiro. Esta rua perpendicular à Avenida deve o nome ao advogado que doou terrenos para a obra; o palacete dele já não existe.
Do outro lado do Rato fica a Praça do Príncipe Real e o Reservatório da Patriarcal, do século XIX, debaixo do jardim. Entre os miradouros da zona, o nosso favorito é o de São Pedro de Alcântara, pela vista aberta sobre a Baixa e o Castelo — o do Príncipe Real é mais sombra do que vista.
Na Rua Rosa Araújo, mesmo ao lado da Avenida, a Casa-Museu Medeiros e Almeida mostra o que um colecionador pode juntar numa vida inteira. Mais longe, a Basílica da Estrela e o Museu do Oriente, em Alcântara, fecham o perímetro dos cinco quilómetros.
Dormir, viver e investir na zona
Quem pesquisa hotéis perto da Rua do Salitre encontra-os junto à Avenida da Liberdade e no Príncipe Real, a pé em poucos minutos. Para ficar de vez, o Salitre 136 serve de exemplo: é assim que funciona um condomínio privado num antigo palacete, com poucas frações e áreas generosas.

Viver aqui tem um custo no dia a dia que não vem nos folhetos. O passeio é estreito, o estacionamento escasso, e o trânsito do Rato e da Avenida chega a qualquer andar baixo.
Se quiser perceber o potencial das ruas adjacentes, comece pela Rosa Araújo e pela Barata Salgueiro. São perpendiculares à Avenida e têm edifícios que contam outra fase do mesmo bairro.
Onde comer
Restaurantes na Rua do Salitre não foram o motivo da visita, e não vamos fingir o contrário. Fizemos pausa nos cafés do Largo do Rato e, quando houve fome a sério, subimos ao Príncipe Real.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo demora a percorrer a Rua do Salitre?
Meia hora chega para a descida sem paragens. Com fotografias e tempo para olhar as fachadas, conte com uma manhã.
Posso entrar nos palacetes?
Quase todos são privados. Os de instituições culturais abrem para eventos, e é nessas ocasiões que se espreita o interior.
Vale a pena ir de carro?
Sinceramente, não.
Dá para combinar a rua com o Jardim Botânico?
Dá, a pé, a subir. Prepare-se para a ladeira no regresso.
Informações Práticas
Onde Estacionar
O estacionamento à superfície é pago e os lugares são escassos, sobretudo perto do Rato. Para uma visita de um dia, o mais sensato é usar um parque subterrâneo junto à Avenida da Liberdade e fazer a rua a pé.
Transportes
O metro do Rato (Linha Amarela) deixa-o no início da rua, e o da Avenida (Linha Azul) no fim. Entre os dois, a descida faz-se a pé. Também é possível chegar por autocarro à zona do Rato e do Marquês de Pombal.
Dicas Práticas
O declive é suave, mas os passeios são estreitos e irregulares, o que dificulta cadeiras de rodas e carrinhos de bebé. Os palacetes ficam todos ao nível da rua, sem recuo, por isso há pouca sombra. Chegue de manhã para evitar o trânsito da Avenida.









